sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Velho e o Mar

O Velho e o Mar é um pequeno romance do escritor americano Ernest Hemingway.
Nesta edição, da Livros do Brasil, somos presenteados com uma introdução do grande escritor português Jorge de Sena que é, ao mesmo tempo, o tradutor do livro.
Hemingway é um dos grandes nomes da literatura do século XX. Conhecido pelo seu estilo boémio e pelas obras profundamente autobiográficas (Por Quem os Sinos Dobram, Adeus às Armas, O Sol Nasce Sempre (Fiesta)), a leitura Hemingway surpreendo-nos sempre pela simplicidade e pelo realismo. Não obstante, não deixa ao mesmo tempo de ser verdade que, em muitos dos seus livros, existe uma mensagem sub-reptícia, metafórica, e que, no fundo, representa o mais perene do seu trabalho.
O Velho e o Mar, livro escrito em Cuba (onde Hemingway viveu durante uma parte da sua vida), é uma obra maravilhosa. Embora se prolongue por pouco mais de 100 páginas o prazer que se retira de cada uma das linhas é intenso.
A história é sobre um velho pescador atormentado pela ausência de peixe nos seus anzóis e a batalha tranquila mas mortífera com um espadarte, uma narração de um realismo extraordinário (em determinados pontos muito semelhante à sua experiência com as touradas espanholas contadas em O Sol Nasce Sempre (Fiesta)), a emotividade que se retira do sofrimento físico, psico-mental do pescador, a consagração da luta entre o animal e o homem e a derrota que resulta da incapacidade de manter o seu trofeu longe dos tubarões são ingredientes mais do que suficientes para fazer deste um livro de excepção.
Nem todos os leitores gostam de Hemingway. A sua escrita crua – provavelmente aliada e reflexo da sua personalidade peculiar – é, no entanto, absolutamente fascinante e de uma riqueza pouco comum. O Velho e o Mar é um livro extraordinário que deve ser lido por todos os que gostam de bons livros!