domingo, 30 de dezembro de 2012

A Feiticeira de Florença

A Feiticeira de Florença é um livro de Salman Rushdie, escritor britânico de origem indiana.
Salman Rushdie é um dos grandes escritores vivos e um dos mais populares a nível mundial, quer devido ao famosíssimo Os Versículos Satânicos, quer ao, mais aclamado, Os Filhos da Meia-Noite.
Rushdie é um brilhante escritor não apenas porque domina como poucos a sua arte mas também porque é um profundo conhecedor de história, filosofia e religião. A Feiticeira de Florença é a prova cabal desta afirmação. Um romance que decorre no século XVI entre a memória da península itálica e de Florença e a realidade do império Mogol e que permite ao leitor viajar entre a multiculturalidade de um mundo em mudança e onde a ficção e a factualidade correm lado a lado.
Em A Feiticeira de Florença Rushdie narra-nos a viagem de um jovem florentino até à corte do imperador Mogol Akbar e a longa história – contada na primeira pessoa ao poderoso Grão-Mogol – que o herdeiro do renascimento europeu lhe relata.
A Feiticeira de Florença não é uma mera história sobre uma feiticeira ou uma narrativa sobre o amor, mas antes uma ilustração perfeita de como o sonho e a ilusão podem ser um poderoso dínamo de mudança e como podem condicionar o mais poderoso dos homens.
A leitura de Rushdie nunca é simples. De início somos sempre confrontados com a imensidão de referências culturais e que, em muitas circunstâncias, não dominamos. No entanto, e ao mesmo tempo, à medida que a história avança vamo-nos enleando na narrativa e deixando prender até ao ponto em que estamos absolutamente apaixonados. A Feiticeira de Florença é um excelente livro dos melhores que tivemos oportunidade de ler durante o ano de 2012 e uma excelente forma de o terminar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Tentação do Ocidente

A Tentação do Ocidente é um livro do escritor francês André Malraux.
André Malraux é um dos grandes vultos da cultura europeia do século XX e autor de um dos mais relevantes livros do século passado: A Condição Humana.
A Tentação do Ocidente foi o primeiro dos seus trabalhos publicado quando este tinha apenas 22 anos. A Tentação do Ocidente foi escrito sob a forma de correspondência trocada entre dois jovens: um francês e um chinês. Ao longo de 80 páginas Malraux elabora a respeito da decadência do Ocidente e sobre a superioridade da filosofia chinesa.
A escrita de Malraux, mesmo no início da sua juventude, é de uma complexidade assinalável. A temática – o confronto filosófico entre Ocidente e Oriente – presta-se a isso mas a profundidade que o autor imprime nas suas palavras revelam grande conhecimento do objecto deste livro.
A Tentação do Ocidente não é um livro fácil. O leitor mais desatento pode passar ao lado do conteúdo excepcional que uma reflexão sobre a Europa no início do século pode oferecer. Este é um livro para temerários.