quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma Viagem à Índia

Uma Viagem à Índia é um livro do escritor português Gonçalo M. Tavares.
Gonçalo M. Tavares é um dos mais brilhantes escritores portugueses e, na actualidade, já não apenas da nova geração mas em termos globais. A sua capacidade inventiva, a forma como é capaz de criar personagens de enorme profundidade psicológica, a abstracção espacial dos ambientes onde as suas histórias decorrem são uma mais-valia inquestionável na literatura moderna onde tantas vezes se confundem os bons livros com a diversão momentânea que algumas obras podem trazer. Foi, portanto, com imensa expectativa que abordámos a leitura deste livro do escritor português.
Uma Viagem à Índia foi escrito – pensamos nós – tendo por base o conceito de epopeia e em particular a obra maior da literatura portuguesa: Os Lusíadas. Tal como a obra que serviu de inspiração, Uma Viagem à Índia está dividido em dez cantos e, não obstante as evidentes diferenças formais – está também dividido em estâncias não obstante estar longe de ser uma obra poética, antes qualquer coisa semelhante a uma prosa poética.
Não é do nosso interesse fazer aqui uma crítica formal ao livro de Gonçalo M. Tavares, muito menos procurar encontrar todas as ligações que poderiam ajudar a qualificar ou não esta obra como uma epopeia. Note-se, no entanto, que no nosso entender esse não foi o objectivo do autor.
Uma Viagem à Índia tinha tudo para ser um enorme livro. A estrutura das epopeias, a inspiração de Os Lusíadas, o talento do autor, aparentava ser a fórmula mágica de uma obra para a posteridade. Infelizmente, na nossa opinião, embora as condições fossem dificilmente repetíveis, Uma Viagem à Índia fica muito aquém do brilhantismo que esperávamos. Não deixando de ser um livro interessante, com uma história razoavelmente cativante e estando, como sempre, muito bem escrito, ficou-nos a saber a pouco. Quando um autor atinge um determinado nível e é capaz de criar expectativas tudo o que não corresponde ao esperado transforma-se numa desilusão. Para os que gostarem muito do autor, é de ler. Quem não conhece o autor de Jerusalém, o melhor será começar por outro livro!