quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Regressa, Coelho

Regressa, Coelho é o segundo volume da série Coelho da autoria do escritor norte-americano John Updike.
Na vida de um leitor existem momentos muito complicados, nomeadamente quando, por mero impulso (embora fundamentado na leitura de críticas positivas) compramos um determinado livro que acabamos por não gostar. Situação grave que, em determinadas circunstâncias, pode ainda ser pior, especialmente quando compramos logo três livros da mesma série. Foi o que aconteceu com Regressa, Coelho, o segundo volume da série Coelho de Updike que se revelou, ao longo das suas 400 páginas como sendo um verdadeiro martírio.
John Updike pode bem ser uma das grandes figuras das letras norte-americanas do século XX e escritor de grande visão e capacidade. Aliás, quanto ao estilo, nada temos a dizer no norte-americano. Simples, sem rodeios, repleta de imagens bem desenhadas. O nosso problema com a série Coelho é de outra dimensão: Updike traça o quadro de uma sociedade onde os valores morais estão absolutamente pervertidos e onde tudo, aparentemente, parece ser permitido.
Não questionamos que os anos 60 nos Estado Unidos da América tenham semelhanças com o quadro narrativo traçado por Updike. Note-se, inclusive, que em muitos momentos o texto é de uma riqueza impressionante enquanto meio de explicar alguns movimentos culturais e históricos (vide a guerra do Vietnam, a chegada do Homem à Lua, o relativismo moral do movimento Hippie, a problemática racial), mas a forma como Updike conta a história atinge momentos de verdadeiro dramatismo. Existindo problemas de natureza moral, social, económica a verdade é que a personagem principal não tem de sofrer com todos eles. E pior, não pode (podendo como é evidente) ser-lhes absolutamente indiferente.
Houve vários momentos ao longo da leitura deste segundo volume da série em que nos sentimos verdadeiramente avassalados com as peripécias e acontecimentos de tal forma que sofremos bastante para conseguir terminar o livro. Muito daquilo que faz um bom livro está neste Regressa, Coelho. Muitos podem, até, considerar uma obra de génio. Para nós é apenas emocionalmente desgastante!
Regressa, Coelho é um livro poderoso. Para nós, que ainda temos para ler o terceiro volume é apenas uma obrigação. Para aqueles que forem capazes de se distanciar do enredo ficcional encontrarão nesta série motivos de grande interesse. Soubéssemos, no entanto, com antecedência onde nos iríamos meter e não teríamos comprado nem sequer o primeiro!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Meu Nome É Legião

O Meu Nome É Legião é um livro do consagrado e extraordinário escritor português António Lobo Antunes.
Lobo Antunes é um dos mais relevantes escritores em língua portuguesa da segunda metade do século XX e do início do século XX. Aclamado entre nós e no estrangeiro é, ao mesmo tempo, uma das mais controversas figuras das letras em português quer devido à sua peculiar personalidade, quer em função de um estilo bastante próprio e que tende a afastar da leitura dos seus livros uma parcela importante do mundo literário.
Lobo Antunes é um génio, não existam grandes dúvidas sobre isso. Tal não significa que todos os seus livros sejam igualmente geniais ou que o universo literário esteja disponível para deificar o escritor português. Mas a prova do génio de Lobo Antunes reside na extraordinária forma de escrever. Na generalidade dos seus livros (pelo menos a partir de determinada altura), o curso da narrativa raramente é claro sendo constantemente interrompido pelas mais variadas interjeições nomeadamente através do recurso constante a uma analepse psicológico-histórica. Este estilo dificulta bastante a leitura dos seus livros. O leitor tem de estar num permanente estado de alerta (não se admitem quaisquer distracções) para conseguir acompanhar o sentido lógico da narrativa.
O Meu Nome É Legião não foge a esta regra. É um livro extremamente difícil, quer pelo estilo pessoal do autor (a fazer lembrar, de certa forma William Faulkner), quer pelo conteúdo do texto. Neste livro Lobo Antunes narra a vida de habitantes de um bairro social. Personagens sem nome, muitas vezes sem sexo distinguível, absortas numa realidade fantasmagórica, constantemente recordadas da sua condição e da sua história.
Noutras análises de livros de Lobo Antunes temos referido que para nós, na sua obra, o mais importante nem é o curso da narrativa antes o brilhantismo da sua escrita. Em O Meu Nome É Legião não encontrámos o esplendor que procurávamos e sentimo-nos desiludidos o que tornou a sua leitura, em vários momentos, um verdadeiro suplício.
Livro difícil (embora exista quem o considere um dos mais simples do autor), é um verdadeiro desafio. Para os indefectíveis de Lobo Antunes, certamente será motivo de prazer. Para os restantes o melhor será que não se aproximem do mesmo!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Foi assim

Foi assim é uma obra de Zita Seabra, dissidente do Partido Comunista Português e actual editora da Alêtheia Editores.
Zita Seabra foi, durante largos anos, relevante figura do PCP tendo sido sua dirigente e deputada depois de aos 17 anos, ainda durante o Estado Novo, ter estado na clandestinidade. Após um processo atribulado foi expulsa do partido tendo, posteriormente, sido eleita deputada nas listas do PSD.
Foi assim é o livro que narra as experiências políticas da autora durante a sua passagem pelo PCP desde a sua mais tenra juventude até ao momento da sua expulsão e um importante contributo para a compreensão historiográfica de um período político muito relevante bem como para a compreensão sobre os métodos e políticas de um partido que exerceu, em especial durante o PREC, um papel de enorme proeminência na realidade político-social portuguesa.
Zita Seabra não é uma grande escritora e isso fica claro ao longo das mais de 400 páginas deste livro não só porque a sua escrita não é apaixonante mas também porque, demasiadas vezes, se perde na narrativa repetindo problemáticas quando a repetição não faz grande sentido. Desta forma, o valor de Foi assim não é o de um grande romance, o de um extraordinário livro de ensaio ou sequer o de uma grande auto-biografia. Tal não significa que o seu valor, enquanto instrumento para a construção da história deva ser menorizado. Muitas vezes, quando se fala ou escreve sobre a organização interna do PCP, é difícil encontrar a verdade porque o contraditório não é feito ou porque aqueles que se pronunciam sobre essa realidade são menosprezados. Não saberemos, portanto, se todos os, muitos, factos apresentados são ou não fiéis à realidade mas pelo menos poderão ajudar a compreender o que se passou.
Foi assim não é um grande livro mas é uma obra extremamente interessante, nomeadamente para todos aqueles que gostam de história e de política. Recomendada, especialmente, para estes.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Viva México

Viva México é um livro da jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho.
Editado pela Tinta da China em 2010 Viva México é uma interessantíssima obra da jornalista Alexandra Lucas Coelho num cruzamento entre crónica de viagens e reportagem onde a autora traça um perfil sócio-cultural do gigante da América Central.
À partida, temos de confessar, sentimo-nos um pouco enganados. Estávamos à espera de um livro de viagens à semelhança de um género que, felizmente, tem proliferado também no nosso país. Não se equivoque, no entanto, o leitor, Viva México, não obstante ser um livro repleto de motivos de interesse, é muito mais uma crónica jornalística com diversas referências políticas, sociais e económicas. Note-se, porém, que existem também bastantes alusões de cariz cultural, nomeadamente com parágrafos estimulantes sobre Frida Kahlo ou Diego Rivera bem como uma tentativa de alusão à pré-história do país.
Alexandra Lucas Coelho é de escrita fácil e simples. Como boa jornalista revela capacidade para narrar de forma cativante a generalidade dos temas que pretende abordar. Nota, no entanto, para o facto de optar, muitas vezes, pela citação dos seus interlocutores. Não diminuindo o interesse do livro teria sido dispensável.
Viva México é uma obra importante para quem procurar saber mais sobre um país muitas vezes escondido dos olhares mais turísticos dos seus visitantes. Como roteiro que transmite emoções poderá pecar por defeito mas como crónica jornalística tem nota bastante positiva.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Nome de Código: Leoparda

Nome de Código: Leoparda é um excelente thriller sobre a Segunda Guerra Mundial do escritor galês Ken Follet.
Nome de Código: Leoparda é um thriller que se passa durante a Segunda Guerra Mundial e, baseado em factos verídicos, traça a história de um grupo de inglesas recrutadas para o esforço de guerra como agentes secretas.
Ken Follet é um dos mais lidos escritores da actualidade e autor de excelentes romances históricos. Através de uma escrita simples, directa mas verdadeiramente contagiante Ken Follet tem o raro dom de entusiasmar o leitor desde a primeira à última página. Nem todos os autores têm a capacidade de contar histórias entusiasmantes e ao mesmo tempo manterem um nível elevado na sua escrita. Capaz de evitar os lugares-comuns da fantasia história, Follet transporta-nos para um mundo de personagens bem pensadas e desenhadas, ambientes verosímeis e onde cada capítulo encerra momentos de verdadeira emoção.
Nome de Código: Leoparda é um excelente livro dentro do seu género. Para uma dúzia de horas bem passadas é uma boa referência de um grande escritor. Recomendado!