domingo, 29 de julho de 2012

A Jangada de Pedra

A Jangada de Pedra é um romance do Nobel português José Saramago.
Ao longo dos últimos anos temos tido a oportunidade de ler a obra de Saramago que pela sua originalidade e facilidade de leitura e compreensão (embora muitas vezes o autor recorra à metáfora e à parábola como instrumento de transmissão da mensagem) têm representado fonte de boas leituras.
A Jangada de Pedra é um livro que está bem dentro da linha daquilo que são os romances de Saramago. A ideia de que a Península Ibérica se separa do resto da Europa e que vagueia pelo Atlântico é bastante interessante bem como as personagens que vão dando vida às páginas da obra.
Na badana do livro inclui-se um pequeno texto do autor que pretende, talvez, explicar a obra. Aí se refere que a Península se desloca «a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico, desafiando assim, a tanto a minha estratégia se atreveu, o domínio sufocante que os Estados Unidos da América do Norte vêm exercendo naquelas paragens…» Não obstante a enunciação deste princípio de cariz político e do mesmo resultar da pena do autor temos de confessar que não encontrámos elementos, no livro, suficiente que pudessem demostrar que o autor atingiu o seu propósito. A ideia a estar consagrada na obra seria deveras interessante mas traçaria, certamente, um outro romance bem diferente do escrito.
No livro encontramos, no entanto, numerosos pontos de interesse, quer seja no adultério ou divórcio, quer na reflexão sobre a natureza da solidão e na necessidade existencialista do encontro do verdadeiro «eu».
A escrita de Saramago é muito rica, repleta de adágios populares que conferem aos seus romances uma proximidade grande face ao normal leitor. Em A Jangada de Pedra essa natureza popular da escrita do autor português está bem vincada.
A Jangada de Pedra é um excelente livro e as suas quase 450 páginas lêem-se com facilidade e prazer. Este é uma obra bastante aconselhada.

sábado, 7 de julho de 2012

Jesusalém

Jesusalém, é um dos mais aclamados romances do escritor moçambicano Mia Couto.
Lançado em Portugal em 2009, Jesusalém é um livro cativante. Mia Couto, um dos grandes nomes das letras em língua portuguesa, oferece ao leitor uma obra repleta de referências místicas numa escrita inebriante, cantada e verdadeiramente africana, uma demonstração de que os autores africanos de língua portuguesa conseguem conferir um ritmo absolutamente diferente à narrativa sem que tal afecte a essência da língua.
Jerusalém, cidade israelita (ou talvez do mundo), ponto de confluência das religiões monoteístas, local de redenção, redescoberta, nascimento, é a metáfora de Mia Couto neste magnífico romance. Um pai, dois filhos, um tio e um ex-militar são as personagens principais num livro onde se escondem muitos e diversos significados entre as linhas. Neste romance Jesusalém é ponto de chegada e refúgio mas é, sobretudo, local de renascimento.
Ao contrário do que possam dizer nem os escritores, nem os livros não são todos iguais. Narrando uma história, pintando locais ou personagens quase todos são capazes. Complicado é descrever o que é difícil de sentir e de explicar e nisso Mia Couto é mestre.
Jesusalém segue a mesma linha de outras obras do escritor moçambicano que tivemos oportunidade de ler. Livro intenso, espelha uma espiritual realidade africana que ainda não conseguimos descortinar por completa. Seja como for, Jesusalém é um grande livro. Muito recomendado!