sábado, 30 de junho de 2012

Cândido ou o Optimismo

Cândido ou o Optimismo é uma obra do francês François-Marie Arouet, mais conhecido por Voltaire, uma das mais curiosas personagens do mundo cultural do século XVIII.
Cândido ou o Optimismo é um dos mais conhecidos livros de Voltaire. Esta edição da Tinta da China, com posfácio e notas (preciosíssimas) de Rui Tavares, conta ainda com um conjunto muito interessante de ilustrações de Vera Tavares.
Voltaire foi um homem do iluminismo e um grande crítico da realidade setecentista europeia. Cândido ou o Optimismo, pela primeira vez publicado em 1759 sob pseudónimo e de forma clandestina, é uma sátira fantástica e repleta de críticas à Igreja Católica através dos seus múltiplos tentáculos mas também a diversos povos europeus, desde os prussianos aos franceses, passando pelos espanhóis e ingleses.
Cândido, a personagem principal deste conto filosófico, viaja pela Europa e América do Sul, numa deambulação repleta de episódios verdadeiramente hilariantes. A sua musa Cunegundes (como a Dulcineia para D. Quixote) é o motivo principal das suas demandas.
Cândido ou o Optimismo é um livro absolutamente genial, repleto de ironia, fruto de um espírito violentamente crítico (de tal forma que em alguns casos Voltaire comete mesmo alguns erros). A sua leitura é um referencial cultural. Este é um livro muito aconselhado!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Outono do Patriarca

O Outono do Patriarca é um livro do escritor colombiano Gabriel García Márquez.
García Márquez é, indubitavelmente, um dos maiores escritores do último século.
A sua escrita, de claro aroma sul-americano, é capaz de cativar como poucas e as temáticas por si abordadas são um reflexo evidente de uma parte significativa da realidade que caracteriza a segunda metade de novecentos.
O Outono do Patriarca retrata a vida de um generalíssimo ditador num imaginário país das Caraíbas. A evidente ficção – pela falta de referenciais verídicos – é completada pela irrealidade de alguns dos principais postulados da narrativa, como é o caso da provecta idade com que o ditador morre.
Sendo claramente um livro ficcional tal não significa que não se encontrem – ainda que em alguns casos hiperbolicamente – algumas características que pontilham as ditaduras sul-americanas do mesmo período sendo possível arguir que o autor não pretendeu a construção de um qualquer romance puramente resultado da sua imaginação.
Não obstante o evidentíssimo talento literário de García Márquez que fazem deste um autor de excepção, O Outono do Patriarca não é um livro de fácil leitura na medida em que os capítulos são excessivamente longos e a pontuação utilizada não permite as necessárias (no nosso entender) pausas.
 Note-se que, apesar de tudo, a cor, por vezes quase febril, impressa em cada frase ou palavra concedem ao leitor momentos de profundo deleite e prazer. García Márquez é um magnífico narrador e domina perfeitamente a arte de escrita.
O Outono do Patriarca não é um livro para todos os leitores. O esforço acrescido necessário para a sua leitura bem como a temática tratada podem desiludir e desviar alguns do seu caminho. Mas não será por isso que deixará de ser um livro brilhante. A ler!