segunda-feira, 26 de março de 2012

Corre, Coelho

Corre, Coelho, é um livro do escritor norte-americano John Updike, considerado um dos maiores talentos literários do século XX.
Corre, Coelho, é o primeiro volume da série Coelho. Esta série, escrita ao longo de mais de trinta anos, valeu a Updike dois prémios Pulitzer, sinónimo de qualidade nos Estados Unidos da América.
Não obstante os predicados de Updike e desta obra, Corre, Coelho, não foi um livro que nos tenha entusiasmado especialmente, sobretudo porque o drama conferido à narrativa ensombra o que, na nossa opinião, o livro poderia ter melhor: um homem (Harry Angstrom), jovem, nos Estados Unidos da América do final dos anos cinquenta, confrontado com a instabilidade emocional da sua mulher alcoólica, procura fugir à rotina castradora da normalidade. Ao mesmo tempo, vive no limbo do moralismo de uma sociedade conservadora que procura, até ao último momento, a manutenção das instituições.
Este primeiro volume, que se estende por cerca de trezentas páginas tem, no entanto, momentos verdadeiramente aterrorizantes. Claro que fazem parte de uma imagem criada pelo autor mas ainda assim ferem a nossa sensibilidade.
Corre, Coelho, não é um livro mau. No entanto, não nos deixou deliciado. Temos ainda dois dos restantes quatro volumes para ler pelo que pensamos que existe ainda espaço para que a nossa opinião se altere.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Na Cova dos Leões

Na Cova dos Leões é um livro de Tomás da Fonseca, escritor português do século passado.
Livros como este Na Cova dos Leões não costumam ser usualmente referidos neste nosso blogue. Habitualmente optamos pelos romances mas tendo-nos calhado este em sorte, não podemos deixar de o analisar. Para mais, a chancela da Antígona é quase sempre sinónimo de grande qualidade.
Tomás da Fonseca foi um fervoroso republicano e um dos mais destacados membros de um informar movimento anti-clerical que teve o seu apogeu durante o início da primeira república.
Na Cova dos Leões é uma expressão absoluta das convicções anti-clericais do seu autor. Através de um conjunto de cartas dirigidas ao Cardeal Cerejeira, Tomás da Fonseca procura desconstruir, quer o cristianismo, num primeiro momento, e depois, as muito famosas aparições de «Nossa Senhora» aos pastorinhos em Fátima.
O estilo acusatório do autor é, em muitas circunstâncias, de uma violência impiedosa. Tomás da Fonseca usa o seu longo reportório e conhecimentos de natureza teológica para desmontar aquilo que designa como embuste de Fátima.
Na Cova dos Leões é um livro extraordinário para quem quiser procurar compreender o que aconteceu em Portugal – do ponto de vista religioso – durante grande parte do Estado Novo e que oferece uma visão a que poucas vezes é dado destaque a quando do tratamento do suposto milagre de Fátima. Naturalmente, para os crentes, Na Cova dos Leões será praticamente uma ofensa! Fica, pelo menos, a sugestão. Para os intrépidos!