quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A Educação Sentimental dos Pássaros

A Educação Sentimental dos Pássaros é o mais recente livro do escritor angolano José Eduardo Agualusa.
Durante este ano de 2011 tivemos oportunidade de ler alguns dos romances do escritor africano Agualusa. O seu estilo descomplexado e com um doce travo a África foi um extraordinário incentivo para a continuação das suas obras e veio acrescentar argumentos à cada vez mais notória literatura produzida em português africano.
A Educação Sentimental dos Pássaros recolhe onze pequenos e maravilhosos contos onde é possível encontrar, até, incursões do autor dentro das questões de natureza política, como são os contos sobre Jonas Savimbi ou Hilary Clinton. Mas é mais do que isso! Através das palavras e ideias simples, Agualusa transporta-nos a um mundo onde, muitas vezes, é difícil distinguir entre o real e a pura imaginação.
José Eduardo Agualusa é um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa da actualidade. Já o havíamos escrito no último texto de análise a um dos seus livros e repetimo-lo novamente. Ler os seus livros é um exercício de prazer e A Educação Sentimental dos Pássaros é um livro, definitivamente, a ler!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Cão Como Nós

Cão Como Nós é uma obra de um dos maiores poetas portugueses da segunda metade do século XX, Manuel Alegre.
Embora Manuel Alegre seja, sobretudo, um excelente poeta, Cão Como Nós é um pequeno romance deste autor português. Não obstante o estilo é o de uma prosa poética, repleta de belíssimos momentos da descrição da relação entre um cão (épagneul-breton) chamado Kurika e a família do famoso poeta português e em particular com o próprio.
Cão Como Nós é uma história comovente, de uma beleza impressionante. Manuel Alegre transporta-nos ao epicentro das suas memórias e ilustra-nos com uma precisão notável a difícil/fantástica relação que teve com o seu amigo de quatro patas.
Muito interessante, para todos aqueles que convivem com animais, as semelhanças que encontramos com as nossas próprias experiencias e a forma como entendemos os sentimentos de animais que estão tantas vezes mais próximos de nós de que muitos humanos.
Cão Como Nós é um excelente livro que atingiu recentemente a sua 22.ª edição e mais de cem mil exemplares vendidos. Ainda bem! Nem sempre os grandes livros têm o privilégio de ser lidos por multidões! E este é mesmo um grande livro!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Aprender a Rezar na Era da Técnica

Aprender a Rezar na Era da Técnica é um livro do português Gonçalo M. Tavares um dos maiores – senão mesmo o maior – nomes entre as letras nacionais contemporâneas.
Gonçalo M. Tavares é o nosso escritor português favorito da actualidade. Os seus livros – e em particular os livros pretos da tetralogia O Reino – são absolutamente extraordinários. Profundamente violentos e mordazes são reflexões intestinas sobre a mais recôndita natureza humana, reveladores de uma fabulosa capacidade de retrospectiva sobre a face menos visível dos indivíduos.
Aprender a Rezar na Era da Técnica é a expressão autêntica desta temível forma de escrita. Através de Lenz Buchmann, Gonçalo M. Tavares dá expressão a uma fantástica narração das característica de um ser cruel, indiferente e indecente que observa a sociedade através de um prisma de absoluto relativismo moral. Não deixa de ser curioso que as personagens de Gonçalo M. Tavares caíam sempre fora dos moldes tradicionais da moderna literatura.
Aprender a Rezar na Era da Técnica é um magnífico livro. Poderoso e absolutamente violento é um exemplo perfeito da qualidade das letras portuguesas. Gonçalo M. Tavares vai continuar por aí e acabará por ser, certamente, um dos mais galardoados escritores da sua geração.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Vendedor de Passados

O Vendedor de Passados é um romance do angolano José Eduardo Agualusa.
Há alguns meses tivemos a oportunidade de ler, pela primeira vez, um romance de Agualusa: na sorte calhou-nos Barroco Tropical, uma obra fresca com um imenso sabor a África.
Em O Vendedor de Passados Agualusa conta-nos, em primeiro lugar, a história de Félix Ventura, um homem capaz de fazer brotar bons antepassados do mais desprezível indigente. Mas, e ao mesmo tempo, conta-nos também a história de José Buchmann, misterioso comprador de passados e crente absoluto na teia ilusória da irrealidade criada e de uma osga que se recorda de ser homem!
Agualusa é um dos mais talentosos escritores em língua portuguesa na actualidade. A sua escrita é fluida, melodiosa, cantada, com personagens maravilhosamente construídas e cativantes.
O Vendedor de Passados é um livro que se lê num ápice e cujas páginas percorrem os nossos dedos com uma facilidade tremenda. Este é um muito bom livro e que não podemos deixar de aconselhar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra

Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, é um romance moçambicano Mia Couto.
Mia Couto é um dos mais famosos escritores africanos de língua portuguesa. Ao longo dos últimos anos te construído uma carreira sólida e com momentos de grande brilhantismo. Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, foi o primeiro romance de Mia Couto que tivemos oportunidade de ler. Em boa hora!
Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra é uma obra de grande beleza e de uma profundidade melódica com sabor a África. A história, sobre o enterro do avô Mariano, patriarca da família, contada com pronúncia africana, tem um ritmo diferente da maioria das histórias que vamos lendo ou ouvindo por aí. Talvez porque em África se viva de forma diferente, mais livre e pausadamente.
Este livro está repleto de belas e profundas personagens, cada uma com traços especiais que lhes permitem receber a sua dose individual de participação activa na construção da narrativa. O mais curioso, passa provavelmente, pelo conteúdo místico deste livro. Um morto que se expressa através de cartas e que guia a personagem principal, tranquilamente, em direcção a uma verdade perdida no tempo.
Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, é um muitíssimo bom livro. Longe do rebuliço das grandes cidades, afastado nas narrativas modernas sobre a casualidade absurda da vida, Mia Couto transporta os seus leitores a lugares diferentes e únicos. Um livro a ler!