domingo, 27 de novembro de 2011

Gente Pobre

Gente Pobre foi o primeiro romance do escritor oitocentista russo de Fiódor Dostoiévski.
Dostoiévski é, certamente, um dos maiores escritores da história. Autor de obras mundialmente conhecidas (como Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov, O Idiota), deixou marca profunda no mundo das letras.
Nos romances de Dostoiévski que já tivemos oportunidade de ler, é-nos possível encontrar um traço distintivo que passa pela origem humilde – por vezes mesmo miserável – das suas personagens. Para além da natureza modesta, é possível ainda afirmar que as personagens dos seus livros tendem com facilidade para a auto-humilhação.
Em Gente Pobre é-nos descrita a história de um homem e uma mulher, ambos muito pobres, que trocam cartas relatando os seus dias, as suas experiências e até um pouco do seu passado. É interessante verificar que ao longo da narrativa, a já muito negativa situação financeira inicial, degrada-se ainda mais. Por conseguinte a humilhação é ainda mais evidente!
Fiódor Dostoiévski foi um grande escritor, isso é inquestionável. No entanto, Gente Pobre não foi um livro que nos tivesse nos tivesse proporcionado uma leitura muito agradável. O autor é sempre livre de contar a história que entende! E o leitor de gostar – ou não – da forma como a história é contado! Talvez não fosse necessário fazer passar as personagens por tantas agruras.
Gente Pobre, embora tendo sido escrito em fase precoce na vida do autor, é um bom livro. Longe, no nosso entender, de ser dos mais brilhantes, mas interessante, sobretudo para quem se não importar de ver as personagens sofrer do princípio ao fim do livro!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Notícia de Um Sequestro

Notícia de Um Sequestro é um livro do escritor colombiano Gabriel García Márquez.
Ao longo dos anos temo-nos habituado o ler as obras de García Márquez e a considera-lo um dos maiores escritores vivos. Os seus livros, repletos de um puro encanto sul-americano, conseguem sempre levar os leitores a mundos distantes e a forma apaixonada como escreve transmite uma sensação de realidade às suas narrativas como poucos escritores ainda são capazes.
Notícia de Um Sequestro é um livro um pouco diferente! Sobretudo porque não é um mero romance, antes uma narrativa construída com bases em factos verídicos: um sequestro que ocorreu na Colômbia no início da década de noventa do século passado.
As personagens principais são os sequestrados – na generalidade pessoas ligadas ao jornalismo – as suas famílias, o poder político e Pablo Escobar um muito conhecido traficante de droga.
Notícia de Um Sequestro é um excelente livro. A oportunidade de conhecer uma história que apaixonou a Colômbia durante tanto tempo e contada por um dos maiores escritores da actualidade é fenomenal. Em muitos momentos foi quase possível entender a angústia dos sequestrados e das suas famílias, o braço-de-ferro entre narcotraficantes e poder político e os esforços hercúleos de alguns para encontrar soluções.
O talento de García Márquez é assaz conhecido. Notícia de Um Sequestro é um livro para ler e reflectir. Mas apenas para os mais incautos!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Naufrágios

Naufrágios é um livro do escritor chileno Francisco Coloane.
Naufrágios é um livro diferente. Ao contrário do que é habitual, esta obra – com prefácio do também chileno Luis Sepúlveda – é uma antologia de textos sobre o mar, marinheiros, capitães e, como o próprio título indica, sobre naufrágios.
A inspiração de Coloane foi uma obra de Francisco Vidal Gormaz também intitulada Naufráfios. O trabalho de Coloane em quase toda a obra, aparentemente simples, é o de comentar, com dados novos e sugestões de interpretação, o texto de Vidal Gormaz. Na parte final inclui alguns naufrágios novos e dá-lhes vida!
Em Naufrágios temos quinhentos anos de acidentes no mar. Temos a história de homens poderosos e sobretudo temerários. O Chile, país com uma costa com mais de cinco mil quilómetros de extensão, repleta de perigos e armadilhas, tem sido, desde a sua descoberta pelos ocidentais, lugar de aventura, felicidade mas também catástrofe. Foi a este mundo que Coloane escolheu nos transportar.
Naufrágios pode não ser o livro mais cativante do mundo e, para a grande maioria dos leitores, pode até ser aborrecido e desprovido de interesse. Para nós, foi uma boa companhia durante as pouco mais de duzentas páginas. Não será uma obra-prima, nem sequer particularmente original, mas é um livro bastante agradável.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Homenagem à Catalunha

Homenagem à Catalunha é uma obra do escritor e jornalista inglês George Orwell.
George Orwell é um dos mais conhecidos escritores do século XX e autor de duas das mais significativas obras publicadas nesse século: 1984 e A Quinta dos Animais. Estes livros, de marcado cunha político, retratam uma sociedade doente e que marca grande parte do século XX. Seja através da distopia de 1984 ou da parábola de A Quinta dos Animais, Orwell, genialmente, caracteriza o onírico e o real na perfeição.
Homenagem à Catalunha é um livro diferente. Defensor de ideias anarquistas, Orwell lutou ao lado da República durante seis meses na Guerra Civil Espanhola. Após ter sido ferido em combate assistiu às lutas intestinas dentro das facções apoiantes da República, nomeadamente à tentativa de destruição do movimento anarquista pelos partidos marxistas.
Homenagem à Catalunha é, portanto, um livro de relatos sobre a guerra. Mas, e ao contrário do que eventualmente poderia ser de esperar – dado que Orwell era jornalista – o autor não se limita a descrever, apoliticamente, a situação, antes tomando parte.
Para nós, que pouco sabíamos sobre a Guerra Civil Espanhola, Homenagem à Catalunha teve o condão de despertar o interesse por este conflito que minou a Europa na década de 30 do século passado. É que Orwell, de quem já conhecíamos o brilho através das suas obras mais conhecidas, mostrou ainda ser capaz de descrever com particular interesse uma realidade de muito difícil compreensão.
George Orwell é um dos autores que mais nos cativou com a sua obra. Homenagem à Catalunha é, naturalmente, diferente de 1984 ou A Quinta dos Animais. No entanto, é um livro soberbamente bem escrito de muito interesse para aqueles que procurarem compreender a Europa num momento que foi de enorme clivagem político-ideológica. Definitivamente, a ler!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

São Jorge dos Ilhéus

São Jorge dos Ilhéus é um interessantíssimo romance de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos: Jorge Amado.
Nunca antes nos tínhamos abalançado na leitura da obra de Jorge Amado. Muito conhecido, entre nós pelos romances que resultaram em telenovelas – Tieta do Agreste, Gabriela Cravo e Canela, Dona Flor e os seus Dois Maridos, entre outros – escreveu ainda, entre várias outras obras, Capitães da Areia, provavelmente a sua obra-prima.
São Jorge dos Ilhéus é um óptimo romance, combinando, ao mesmo tempo, a crítica social e política com um relato sobre a indústria do cacau no Brasil do início do segundo quartel do século XX.
Nesta obra encontramos uma multiplicidade de personagens – sem que nenhuma seja verdadeiramente o centro da narrativa – ao bom estilo de uma novela. Personagens estas perfeitamente caracterizadas, polidas com fulgência, com cheiro e sabor a Brasil. Entre negros, e coronéis, passando pelo retrato de um mundo político em mudança – a ascensão do integralismo, do comunismo e do imperialismo – repleto de crítica de costumes, Jorge Amado proporciona aos leitores uma narração divertida e simples mas que, de forma paradoxal, permite também a reflexão sobre temáticas de grande profundidade intelectual.
Não é por acaso que Jorge Amado é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa de todos os tempos. Apesar das suas opiniões políticas estarem vertidas em todo o texto – poderia ser doutra forma? – Jorge Amado revela-se como um brilhante contador de histórias, onde negros, coronéis, prostitutas e exportadores assumem o papel principal.
São Jorge de Ilhéus é um bom livro que abre o apetite para a leitura da restante obra de um dos grandes escritores do século XX. Recomenda-se!