sábado, 29 de outubro de 2011

Paralelo 42

Paralelo 42 é um romance do americano John dos Passos.
Paralelo 42 é o primeiro volume da trilogia U.S.A. que é considerado por alguns o maior romance escrito nos Estados Unidos da América nos últimos cem anos.
Uma vez que apenas tivemos, até ao momento, a oportunidade de ler o primeiro volume, é-nos impossível tomar opinião definitiva sobre afirmações tão polémicas e discutíveis como aquelas que afirmam que um romance é, ou não, o melhor de um determinado período.
Paralelo 42 narra a história de cinco diferentes personagens. O tempo histórico, que decorre entre o final do século XIX e a Primeira Guerra Mundial, deixa claramente entender que o autor pretendeu incluir as suas personagens num período em que os Estados Unidos da América se transformam na grande potência política/económica do século XX.
A narrativa é agradável! O autor, ao longo das quase quatrocentas páginas, dá-nos a conhecer, com bastante interesse a vida de cinco americanos comuns: Mac, Janey, Eleanor, Ward e Charley. Estas personagens, que se vêm confrontadas com a sua simplicidade natural, recusam-se a permanecer anónimas ou coniventes com o marasmo da existência. No fundo, entendemos que dos Passos as empurra numa longa demanda – repleta de vitórias, mas também de derrotas – em busca do sonho americano.
O primeiro volume doa trilogia U.S.A. é um bom começo. No entanto, é difícil avançarmos muito mais na análise uma vez que necessitamos de ler os outros dois volumes. Esta Paralelo 42 suscitou o interesse na leitura dos outros dois volumes. É isso que pretendemos fazer logo que tenhamos a oportunidade.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Crónica dos Bons Malandros

Crónica dos Bons Malandros é o mais conhecido dos livros do jornalista/escritor Mário Zambujal.
Há muitos anos que ouvíamos falar desta Crónica dos Bons Malandros de Zambujal. Infelizmente nunca havíamos tido oportunidade de lermos este fantástico policial/romance do escritor português.
Crónica dos Bons Malandros é um livro repleto de ironia, sarcasmo e de uma imensa e contagiante alegria que ressalta em cada uma das maravilhosas personagens e na própria trama. Quem diria que, a descrição de uma quadrilha de meliantes, ladrões, malandros poderia transportar-nos para um mundo tão interessante.
É difícil fazer grandes avaliações no que à qualidade literária de um livro destes. No entanto, isso não significa que seja um mau livro. Crónica dos Bons Malandros proporciona aos leitores excelentes sensações e um par de horas bem passadas.
Talvez este não seja uma obra-prima da literatura portuguesa. Dificilmente alguma vez poderá merecer reflexões de grande profundidade intelectual – sendo certo que a edição que tivemos oportunidade de ler tem um muito interessante prefácio, que nos abre possibilidades de curiosas interpretações, de Gonçalo M. Tavares – mas é um marco na literatura portuguesa e merece muito ser lido.

domingo, 9 de outubro de 2011

Os Versículos Satânicos

Os Versículos Satânicos é uma das mais famosas obras do escritor indiano Salman Rushdie.
Há vários anos que nos tínhamos proposto a ler Versículos Satânicos de Rushdie. A controvérsia que envolveu a publicação desta obra no final dos anos oitenta e que tem tendência a se prolongar – ainda que com menor intensidade na actualidade – surge como um verdadeiro fruto proibido. Como sabemos a publicação deste livro valeu a Rushdie a emissão de uma fatwa pelo Ayatollah Khomeini – líder religioso e espiritual da revolução iraniana de 1979.
A história de Os Versículos Satânicos desenrola-se em torno de duas personagens: Gibreel Farishta e Saladin Chamcha. Estas duas figuras, que surgem numa primeira parte do livro como representantes do bem e do mal, são responsáveis por um encadeado de acontecimentos que envolvem a discrição de inúmeros elementos de natureza religiosa que correspondem ao desenvolvimento do islamismo na Índia. Curiosa a forma como Rushdie inclui, entre capítulos dedicados à narração da história central, episódios, eventualmente até hiperbolizados e satirizados, da realidade do Islão.
Rushdie é um homem profundamente culto e conhecer da profundeza religiosa que vive ainda em confronto da actual Índia. Para o leitor português comum, que desconhece a cultura indiana e o mundo islâmico, é difícil encontrar suficientes pontos de referência para que se consiga compreender, em toda a sua plenitude, este magnífico romance de Rushdie.
No entanto, e para além da miríade de referências de cariz sócio-cultural que encontramos neste romance, não é possível deixarmos de destacar a magnificência da escrita de Salman Rushdie. Os Versículos Satânicos está impecavelmente escrito e narra uma história que prende o leitor da primeira à última página. Note-se que a falta de referência culturais que pode ser um impeditivo à leitura da obra contém também um reverso positivo: o encantamento com a multiculturalidade que representa uma visita a uma realidade idílica.
Os Versículos Satânicos pode não ser o mais fácil dos romances de Rushdie e até nem mesmo o melhor. No entanto é indiscutível que é uma obra marcante na literatura do século XX, mais do que não fosse – e não é, porque têm imensos pontos positivos – pelos efeitos políticos e religiosos que trouxe com a sua publicação. Definitivamente uma obra a ler!