sexta-feira, 29 de julho de 2011

After Dark - Os Passageiros da Noite

After Dark – Os Passageiros da Noite, é uma obra de Haruki Murakami, popular escritor japonês.
Ao longo dos últimos anos temos vindo a ler a obra de Murakami com um prazer sempre redobrado em função dos fantasiosos e magníficos mundos criados pelo escritor japonês que cativam extraordinariamente os leitores. E foi com essa expectativa que fomos para After Dark – Os Passageiros da Noite.
Apesar de o espírito e estilo de Murkami estarem presentes neste After Dark – Os Passageiros da Noite este não é um romance que possamos qualificar de extraordinário. Personagens bem desenhada, enigmáticas e em alguns casos quase mirabolantes, mas um argumento bem mais fraco do que o habitual.
A ideia de uma noite por um bairro de Tóquio, embora potencialmente fascinante (sobretudo quando o autor é Murakami), não foi capaz de nos encantar. Não que o livro seja mau, porque não é. Mas fica abaixo do inicialmente esperado, como que uma desilusão.
Murakami é um escritor extraordinário, de excepção, onde se realça a facilidade de cruzamento entre duas culturas que se encontram tão nos antípodas. Note-se, no entanto, que não é por After Dark – Os Passageiros da Noite ser um livro menos conseguido que Murakami deixa de ser um dos melhores.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O nosso reino

O nosso reino foi o primeiro romance do já aqui comentado Valter Hugo Mãe jovem escritor português e uma das grandes referências literárias da actualidade no nosso país.
Temos, num passado recente, vindo a ler a poderosa obra de Hugo Mãe. O nosso reino faz parte de uma tetralogia (conjuntamente com O remorso de baltazar serapião, O apocalipse dos trabalhadores e A maquina de fazer espanhóis – os dois últimos já aqui analisados). Aparentemente começámos pelo final. No entanto o facto de fazerem parte de uma tetralogia não impede que estas obras possam ser lidas de forma autónoma.
Hugo Mãe é um escritor de excepção. Não tendo uma escrita de fácil leitura oferece aos seus leitores livros muito poderosos e que abordam assuntos bem diferentes daqueles que habitualmente invadem a literatura contemporânea.
Hugo Mãe, em O nosso reino é traz-nos a narração, na primeira pessoa, da vida de uma jovem criança que vive confrontada com duas temáticas avassaladoras: a morte e Deus. Numa vertigem violenta, a personagem vê família e amigos desaparecerem num cataclismo emocional tremendo.
O nosso reino é um grande livro embora de difícil leitura. Aconselhável a quem procura emoções fortes e livros pouco vulgares e àqueles que pretendem ler boa literatura portuguesa.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Planalto e a Estepe

O Planalto e a Estepe é o mais recente romance do angolano Pepetela, Prémio Camões em 1997 e autor, entre outros, do aqui já analisado O quase fim do Mundo.
Quando pela primeira vez pegámos num livro de Pepetela tivemos alguma dificuldade em nos identificarmos imediatamente com o autor. Sendo angolano, a sua narrativa apresenta-se musicada e a estrutura frásica adquire um ritmo diferente dos autores portugueses. No entanto, e depois do impacto inicial, ficámos com uma excelente imagem do escritor nascido em Benguela.
O Planalto e a Estepe foi uma óptima confirmação do talento de Pepetela. Certo é que não conhecemos ainda o trabalho mais antigo do escritor angolano. Mas este O Planalto e a Estepe é um livro muitíssimo bem conseguido que conta a história de um jovem angolano que, durante os anos 60 viagem para Portugal para estudar e que acaba na URSS preparando-se para a construção de uma democracia socialista no seu país natal.
Pepetela é um escritor despretensioso. Escreve, no entanto, magistralmente. Em O Planalto e a Estepe dá-nos a conhecer uma belíssima história de amor e faz-nos percorrer os caminhos sinuosos das mentiras dos regimes comunistas.
O Planalto e a Estepe é um livro magnífico! Pode ser que não seja uma obra-prima mas a verdade é que foi escrito com imensa alma. Talvez porque seja fundado numa história que verdadeiramente aconteceu. A ler!