quinta-feira, 26 de maio de 2011

Kyoto

Kyoto é uma obra do japonês Yasunary Kawabata, Nobel da Literatura em 1968.
Kyoto foi a primeira leitura entre os romances de Kawabata, por muitos considerada a sua obra-prima.
Escrito num estilo simples, com profusas e belas alusões sobre a natureza – com particular destaque para as flores – Kyoto é, ao mesmo tempo, um livro de grande complexidade pelo facto de ser resultado da visão sobre uma civilização completamente díspar da ocidental e da qual temos poucas referências.
A narrativa, centrada em Chieko, percorre questões relacionadas com aspectos tradicionais da região de Kyoto e trata, especialmente, da problemática da separação e do reencontro. Outras questões, como a das diferenças sociais e as relacionadas com as mudanças em sociedades profundamente tradicionais são também objecto deste romance de Kawabata.
Kyoto é um interessante livro. Infelizmente, a falta de referências culturais impediu-nos de o desfrutar com maior intensidade. Tal facto não impede, no entanto, de reconhecermos o seu valor literário e de o consideramos uma obra bela.

sábado, 21 de maio de 2011

Barroco Tropical

Barroco Tropical é um romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Barroco Tropical foi a primeira obra que tivemos oportunidade de ler de Agualusa e foi uma óptima surpresa. Surpresa, não porque desconhecêssemos as boas críticas de quem tem sido objecto, mas sobretudo porque confirmámos a verdade das mesmas.
Agualusa escreve com paladar africano. As personagens deste Barroco Tropical são absolutamente magníficas, repletas de diferentes tonalidades e preenchidas com o sabor da diversidade étnica de Angola. Entre Bartolomeu Falcato, escritor e bígamo e Kianda, cantora e intérprete do mundo, encontramos uma miríade de outras personagens que ajudam a completar um puzzle em torno de um anjo caído.
A acção decorre em Luanda no ano de 2020, numa realidade, que embora com ligações evidentes à Angola dos dias de hoje, se encontra alterada hiperbólica e fantasiosamente leva-nos a conhecer a dicotomia da moderna sociedade de classes e da fusão entre o mundo moderno e o místico.
Agualusa pareceu-nos um belíssimo escritor da global língua portuguesa. Artista, jogador de palavras, verdadeiro contador de histórias, traz-nos, com Barroco Tropical, o paladar de África e um cheirinho de mundo místico. Um bom livro e um autor, definitivamente, a acompanhar com muito interesse!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile

A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, é um livro do escritor colombiano Gabriel García Márquez.
Esta atípica obra – não é um romance, um ensaio, um conjunto de contos, mas antes «uma reportagem» – resulta da aventura de um homem real, Miguel Littín, que, durante cerca de seis semanas, alguns anos depois de ter sido proscrito pelo regime de Pinochet, filmou, clandestinamente, um documentário no seu país natal sobre as atrocidades do ditador chileno.
Apesar de não se configurar como um típico romance, a verdade é que este livro de García Márquez – como aliás parece ser toda a sua obra – é de uma facilidade de leitura impressionante. A narrativa por detrás da aventura de Littín também ajuda a manter o leitor preso ao livro, mas a verdade é que Gárcia Marquéz é um escritor de verdadeira excepção e consegue sempre colocar a tónica onde é mais importante e conferir aos seus livros interesse fora do vulgar.
A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, é um livro interessante para quem quer conhecer um pouco mais do Chile e do regime que aí vigorou após o assassinato de Salvador Allende e durante o consolado de Augusto Pinochet.
A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, obra bem escrita, que se estende por pouco mais de 180 páginas, lê-se num ápice. Um leitor que tenha a oportunidade de entrar no mundo de Gárcia Marquéz dificilmente volta a ter vontade de querer sair. Este é um grande livro de um enorme escritor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Duplo

O Duplo é uma obra do russo Fiódor Dostoiévski, escritor oitocentista e um dos maiores da história da literatura.
O Duplo não foi a primeira obra de Dostoiévski que tivemos oportunidade de ler. Já antes tínhamos viajado pelo mundo da roleta em O Jogador e mais uma vez confirmámos a impar capacidade de Dostoiévski de escrever sobre o ser humano.
O Duplo é uma obra poderosa. Decorre em São Petersburgo durante o inicio de inverso e relata a história de Iákov Petróvitch Goliádkin, jovem russo, funcionário intermédio da estrutura da função pública do antigo império dos Czares.
O relato, que incide num período temporal relativamente curto, assume-se como mirabolante e onde é muito difícil distinguir o que é efectivamente real. Goliádkin percorre, ao longo da história e desde a primeira página, um tortuoso caminho que o levará à loucura. Não sendo, apesar de tudo, um romance narrado na primeira pessoa, tal facto não impede que o leitor não se sinta muitas vezes confuso quanto à realidade relatada.
Dostoiévski foi um enorme romancista. As sensações transmitidas através de um relato sobre um indivíduo mentalmente perturbado são de uma verosimilhança atroz. Para mais, e porque este romance pode ter uma multiplicidade de sentidos, avulta ainda a incapacidade de um determinado sujeito em conviver em sociedade e a forma cruel com que a sociedade trata quem está à margem ou quem é colocado fora do sistema.
O Duplo, apesar das suas pouco mais de cento e cinquenta páginas, é um grande e complexo livro e um escritor de excepção. A sua leitura é, para quem aprecia os clássicos, obrigatória.