terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Santuário

Santuário é um livro do escritor americano, Prémio Nobel da Literatura em 1949, William Faulkner.
Santuário, um livro cuja acção decorre num cenário fictício no Estado do Mississípi nos Estados Unidos da América, é uma obra violenta que aborda a temática da violação, da morte e acompanha alguns meses da vida de Temple Drake, uma jovem universitária apanhada num ciclo vertiginoso de terror e medo de Horace Benbow, advogado numa estéril tentativa de aplicação da justiça num caso de homicídio e Popeye, uma personagem ambígua e muitíssimo obscura e que pontua, de forma sistemática, todas as cenas principais deste livro.
Faulkner, de quem já tínhamos lido O Som e a Fúria, é um autor brilhante. A sua escrita, de uma profundidade aterradora, centra-se, não tanto no preenchimento de todos as faces da narrativa mas sobretudo na construção de personagens enigmáticas e de cenários meio pintados.
Santuário é um livro agradável mas violento. As temáticas abordadas e descritas podem chocar o leitor, sobretudo no que concerne à temática da violação, descrita, ainda que de forma parcelar, com assustadora profundidade.
William Faulker não é um autor de fácil interpretação e leitura mas as suas obras são de grande beleza estética e as suas narrativas são sempre capazes de prender os leitores ao livro. Santuário não é uma obra extraordinária ou imperdível mas é um bom livro.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Conhecimento do Inferno

Conhecimento do Inferno é uma obra de António Lobo Antunes, que, conjuntamente com Memória de Elefante e Cus de Judas, faz parte de uma trilogia dedica aos recantos mais profundos da alma.
Conhecimento do Inferno foi uma das primeiras obras do escritor lisboeta e é, tal como a generalidade dos seus romances, profundamente marcado pelas influências de que o autor é alvo, nomeadamente a guerra colonial ou o exercício da sua profissão de médico psiquiatra.
E, precisamente, neste magnífico romance é exultada a extraordinária e complexa relação do narrador com a vida num hospital psiquiátrico e as reminiscências da vida e guerra colonial portuguesa das décadas de sessenta e setenta, numa diegese emocionalmente violenta e profunda.
O cenário de uma viagem de automóvel é pontilhado de acessos de memória descritiva sobre acontecimento temporalmente espalhados e, muitas vezes, verdadeiramente confusos.
A obra de Lobo Antunes é de grande beleza e perfeccionismo, mas também de enormíssima complexidade, sobretudo, porque ao estilo de Joyce ou de Faulkner, as mudanças no narrador são muitas vezes abruptas, sem qualquer sinal de aviso.
No entanto, neste Conhecimento do Inferno, encontramos frases, parágrafos, páginas, capítulos verdadeiramente geniais, de um nível extraordinário, capazes de tocarem o céu! E isto só está ao alcance de poucos, muito poucos!
Lobo Antunes é um dos maiores escritores vivos. A sua obra, que retrata com enorme profundidade parte muito significativa dos últimos quarenta anos da história portuguesa, é incontornável. Conhecimento do Inferno é um livro a ler. Com calma, paciência, tranquilidade e tempo, mas um livro imperdível.