terça-feira, 10 de maio de 2011

O Duplo

O Duplo é uma obra do russo Fiódor Dostoiévski, escritor oitocentista e um dos maiores da história da literatura.
O Duplo não foi a primeira obra de Dostoiévski que tivemos oportunidade de ler. Já antes tínhamos viajado pelo mundo da roleta em O Jogador e mais uma vez confirmámos a impar capacidade de Dostoiévski de escrever sobre o ser humano.
O Duplo é uma obra poderosa. Decorre em São Petersburgo durante o inicio de inverso e relata a história de Iákov Petróvitch Goliádkin, jovem russo, funcionário intermédio da estrutura da função pública do antigo império dos Czares.
O relato, que incide num período temporal relativamente curto, assume-se como mirabolante e onde é muito difícil distinguir o que é efectivamente real. Goliádkin percorre, ao longo da história e desde a primeira página, um tortuoso caminho que o levará à loucura. Não sendo, apesar de tudo, um romance narrado na primeira pessoa, tal facto não impede que o leitor não se sinta muitas vezes confuso quanto à realidade relatada.
Dostoiévski foi um enorme romancista. As sensações transmitidas através de um relato sobre um indivíduo mentalmente perturbado são de uma verosimilhança atroz. Para mais, e porque este romance pode ter uma multiplicidade de sentidos, avulta ainda a incapacidade de um determinado sujeito em conviver em sociedade e a forma cruel com que a sociedade trata quem está à margem ou quem é colocado fora do sistema.
O Duplo, apesar das suas pouco mais de cento e cinquenta páginas, é um grande e complexo livro e um escritor de excepção. A sua leitura é, para quem aprecia os clássicos, obrigatória.

1 comentário:

Luís Azevedo disse...

Ainda só li o "Crime e Castigo" do Dostoeivsky. Mas se o estilo dele for um fiio condutor na sua obra concordo com o que disseste. A capacidade de observação do ser humano é um dos pontos fortes da obra.
Parabéns pelo blog.
Cumps Baú-dos Livros