quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Memorial do Convento

Memorial do Convento é, talvez, a mais conhecida e estudada obra do Nobel da Literatura português, José Saramago.
Já há algum tempo que iniciámos a leitura da obra de Saramago. O estilo, limpo, escorreito e simples está presente na generalidade dos seus livros de forma constante. Saramago não se distingue pelos arrebites estilísticos antes pela forma como conta as histórias.
Em Memorial do Convento temos muito mais do que o relato da construção do Convento de Mafra. Temos muito mais do que a história de Baltazar e Blimunda. Temos, sobretudo, o mundo fantasioso das passarolas, o amor místico e perfeito entre duas personagens improváveis, a camuflada crítica à religiosidade empedernida e à dualidade social.
Memorial do Convento é um excelente livro. As personagens são cativantes e ao mesmo tempo perturbadoras. A simplicidade melódica de Baltazar e a espiritualidade encantadora de Blimunda são magníficas, da mesma forma que Bartolomeu (o padre jesuíta) é a antítese da Igreja.
Memorial do Convento está repleto de pormenores de excelência. Saramago tem a inconfundível capacidade de escrever com as palavras do Povo e de incluir nas suas obras o resultado de uma sapiência popular tantas vezes desenhada nos provérbios.
Memorial do Convento é um livro a visitar. Mas não porque resultado de uma leitura obrigatória para os estudantes, antes como puro deleite por uma história muitíssimo bem contada.

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