sábado, 30 de outubro de 2010

África Acima

África Acima é um livro de Gonçalo Cadilhe. Um grande e fantástico livro de viagens como todos os outros que Cadilhe nos tem dado a provar.
Depois de andar pelos passos de Magalhães, de considerar que a Lua pode esperar, de nos fazer uma resenha do seu planisfério pessoal e de querer um km de cada vez, Gonçalo Cadilhe andou desta vez por África, «uma viagem épica por um continente impressionante.»
Cadilhe, um verdadeiro viajante, como é seu hábito, pegou na sua mochila, e recusando o transporte aéreo, tratou de viajar entre a África do Sul e Marrocos. Pelo caminho passou pela Namíbia, Angola, Zimbabué, República do Congo, Nigéria, Mauritânia, Marrocos, entre outros, numa odisseia de mais de oito meses, quinze países e vinte sete mil quilómetros.
Quem conhece a literatura de Gonçalo Cadilhe sabe que não pode esperar a descrição pormenorizada dos hotéis ou das mais esplendorosas cidades do mundo. Sabe no entanto que Cadilhe pinta como nenhum outro, momentos de uma magia, cumplicidade e alegria.
África Acima é um livro magnífico. Não é um mero livro de viagens, é um tratado sobre a amizade, o conhecimento, a partilha e o amor. Amor pela Terra, pelos indivíduos, pela vida animal. África Acima é um livro memorável!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Parábolas e Fragmentos

Parábolas e Fragmentos é uma obra de um dos maiores escritores do século XX, Franz Kafka.
Esta obra não, traduzida e prefaciada por João Barrento, não é um romance nem sequer um ensaio, mas antes um conjunto de textos em forma de parábola, ou seja, profundamente simbólicos, sendo que são quase na sua totalidade de difícil compreensão, pelo menos que respeita ao seu conteúdo figurado.
Para além de um conjunto significativo de parábolas esta obra contém ainda um conjunto de fragmentos, frases dispersas de Kafka, que revelam o génio e originalidade do autor.
Franz Kafka foi um escritor de enorme e reconhecido talento e que influenciou uma parte significativa do panorama literário do século XX. O seu espírito iluminado, a perfeita harmonia com que tratava as palavras e as frases, os ambientes absurdos são fascinantes, fazem apaixonar leitores cultos e experientes. Talvez nem sempre seja fácil entrar na sua escrita, sobretudo porque a sua escrita embora simples encerra significados muito complexos mas depois de se compreenderem as metáforas, as parábolas e as alegorias, Kafka passa a ser referência.
Se é Parábolas e Fragmentos um livro essencial? Se o leitor quiser ler Kafka talvez não seja o melhor livro para o fazer. Agora se é um fã deste autor, então leia-se, e rapidamente!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Homem que era Quinta-Feira

O Homem que era Quinta-Feira é uma magnífica obra do britânico G. K. Chesterton, escritor, ensaísta, jornalista – entre muitas outras actividades – que viveu entre o século XIX e o século XX.
O Homem que era Quinta-Feira é um livro muitíssimo interessante sobre uma temática cativante e repleta de um surrealismo alegórico fascinante. Chesterton recria, num jogo de mascaras e de ilusões a (i)realidade de uma suposta organização anarquista onde ninguém é quem aparenta ser.
Chesterton escreve o inacreditável de uma forma extremamente simples. Apesar da complexidade resultante de um constante jogo de luzes o autor consegue prender o leitor desde a primeira à última página numa constante necessidade de leitura da página seguinte.
O estilo é simples e as personagens estão muitíssimo bem descritas, quer a nível físico, quer a nível psicológico. Fundamental é a caracterização feita a nível psicológico que nos permite entender completamente o objectivo do autor.
O Homem que era Quinta-Feira é um excelente livro. É verdade que não trata de vampiros nem de mundos fantasmagóricos – e talvez por isso seja tão bom – mas é também uma obra repleta de fantasia e de irrealidade. É sem dúvida uma obra a ler!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Mito de Sísifo

O Mito de Sísifo é uma obra do escritor/filósofo Alter Camus.
Apesar de todas as obras de Camus estarem eivadas de uma enorme carga e componente de natureza filosófica O Mito de Sísifo é uma obra muito difícil e de elevada complexidade.
O tema do absurdo é explorado por Camus em múltiplas acepções e com referências à literatura do século XIX e XX, como Dosteievsky ou Kafka.
O normal leitor não está preparado para esta obra de Camus. Um ensaio filosófico sobre uma temática tão abstracta como o absurdo é um enormíssimo desafio mesmo para os leitores mais preparados e versados na arte da filosofia, pelo que não aconselhamos O Mito de Sísifo, a quem não a domine amplamente..