quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Crónica do Pássaro de Corda

Crónica do Pássaro de Corda é um romance de um dos nossos escritores favoritos, o japonês Haruki Murakami.
Haruki Murakami é um dos mais fabulosos escritores vivos e a sua obra é sempre enigmática, mágica, perturbante e profundamente cativante. A facilidade com que Murakami conta uma história é quase inacreditável e os mundos por si criados, apesar do surrealismo militante que em si encerram, são deslumbrantes.
Crónica do Pássaro de Corda é considerado por muitos críticos a obra-prima de Murakami e foi vencedor do Prémio Yomiuri. E, efectivamente, este é um excelente romance. Mas talvez não seja o melhor livro que lemos de Murakami.
A narrativa segue a mesma linha das obras de Murakami que lemos até agora. Personagens – muitas e dispersas – e realidades surreais e uma fabulosa capacidade de entreter o leitor. Mas não nos enlouqueceu de alegria como a generalidade das obras deste autor.
A personagem principal é Toru Okada que vive numa alucinada perseguição – entre a realidade aparente e o sonho verosímil – pela sua fugidia mulher que o abandona sem aparente justificação. À medida que a narrativa avança – e as personagens surgem em catadupa – vamos descortinando o génio criador de Murakami e sentindo o porquê deste ser um dos maiores escritores vivos.
Crónica do Pássaro de Corda é um excelente livro. Talvez não tenha surgido na melhor altura – porque todos os livros têm um momento para serem lidos. Mas os fãs do autor vão, certamente, encontrar motivos suficientes para lerem este romance.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

BuenaYork

BuenaYork é um livro de viagens de Gonçalo Gil Mata um português temerário e desejoso de viver uma das maiores – senão mesmo a maior – aventuras da sua vida.
Imagine o nosso leitor uma viagem de mota entre Buenos Aires e Nova York, a solo, durante mais de 7 meses e percorrendo 40.000 quilómetros por 17 países.
Foi esta a aventura vivida por Gil Mata, um engenheiro informático que decidiu fugir da rotina e viver um dos seus grandes sonhos. E que bom foi Gil Mata ter tido a vontade de partilhar com o público a sua odisseia. Que privilégio foi acompanhar a leitura deste livro e conhecer a realidade de países tão distintos – e distantes – como Argentina, Peru, Nicarágua ou Estados Unidos da América. Que privilégio foi ter vivido ao lado de um viajante as agruras do tempo e dos assaltos e ao mesmo tempo o fascínio da amizade e a beleza das paisagens.
BuenaYork é um típico livro de viagens. E ainda bem. Este é o género de literatura que faz bem ao espírito. E, não sendo Gil Mata um escritor encartado, a verdade é que não deixa de ser uma escrita conseguida e cativante. Não será nenhum Garcia Marques ou um Sepúlveda, mas tem a capacidade de manter o leitor atento e concentrado no essencial: partilha de sentimentos!
BuenaYork é um livro para os amantes da literatura de viagens. Pode não ser tão bom como os de Gonçalo Cadilhe ou de Bill Bryson mas é, não obstante, muitíssimo interessante.