terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Homem Duplicado

O Homem Duplicado é um romance do recentemente falecido Nobel português José Saramago, um dos maiores autores em língua portuguesa do século XX e provavelmente o mais original de todos!
Saramago, ao longo da sua vida, escreveu dezenas de romances de enormíssima qualidade. A forma apaixonada como se expressava era um elogio à arte de bem contar uma história. Para mais, Saramago escreveu numa vida muito daquilo que a maioria dos escritores – a nível mundial – não saberiam ou não teriam coragem de escrever em cem vidas!
No entanto, e apesar de consideramos Saramago um génio, O Homem Duplicado não nos deixou particularmente entusiasmados ou fascinados. Sendo uma ideia interessante – talvez mesmo original? – a verdade é que este livro não nos cativou na mesma medida que outras obras lidas do mesmo autor recentemente. Parece que faltou qualquer coisa para que o livro se pudesse tornar inquestionável para nós! Sobretudo porque em algumas alturas parece que a narrativa é quase previsível.
Nada disto obsta a que este O Homem Duplicado não seja um bom livro, porque o é. Talvez não seja é aquilo que se poderia esperar de uma temática tão interessante como o título sugere. Como é óbvio as personagens estão muitíssimo bem desenvolvidas – sobretudo do ponto de vista psicológico – e os ambientes narrados ao estilo saramaguiano onde impera a capacidade de imaginação do próprio leitor.
José Saramago brindou-nos ao longo dos vastos anos da sua existência com magnificas obras literárias. Talvez O Homem Duplicado não seja o melhor dos seus trabalhos mas é um bom livro e certamente os fãs deste do Nobel português vão conseguir descobrir os seus encantos! Recomenda-se, naturalmente!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Jogo das Contas de Vidro

O Jogo das Contas de Vidro é um maravilhoso e extraordinário romance do escritor alemão, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1946 e autor de alguns dos maiores e mais profundos romances do século XX, Hermann Hesse.
A nossa entrada no mundo particular de Hesse deu-se com a leitura de Siddhartha, um livro fantástico e mágico e que tem sido nosso ponto de referência ao longo dos últimos anos. Mais recentemente tivemos a oportunidade de ler Narciso e Goldmundo um magistral romance existencialista e de uma originalidade assinalável.
Hermann Hesse é um escritor polido e culto. Possui um verdadeiro talento enquanto contador de estórias e os seus livros estão repletos de frases mágicas e personagens encantadoras que embevecem o leitor e o cativam ao longo de toda a novela.
O Jogo das Contas de Vidro – por muitos considerado o melhor dos romances de Hermann Hesse – não foge à regra e é um livro excepcional. Hesse era um homem de uma cultura avassaladora e reflecte de forma perfeita o conhecimento do mundo na forma como se escreve, sendo que esta obra é paradigmática no que a este ponto diz respeito.
Em O Jogo das Contas de Vidro encontramos a narração da vida de Josef Knecht, mestre do jogo das contas de vidro. O estilo é bastante original (pelo menos do que conhecemos). Hesse relata a vida de um homem desde a sua infância até à sua morte como se estivesse a escrever uma biografia de alguém. Original porque na realidade Knecht é uma personagem absolutamente ficcional e porque a realidade retractada por Hesse nesta obra é também ela inexistente.
Sendo uma biografia não o é apenas no sentido de relatar a vivência de uma homem e os seus feitos mas também no sentido em que descobre as dúvidas, as opções e os sentimentos de um individuo confrontado com o domínio dos seu saber misterioso e o desejo de viver uma vida secular.
O Jogo das Contas de Vidro é um dos melhores romances que tivemos oportunidade de ler até hoje. Apesar da narrativa se estender por quase quatrocentas e cinquenta páginas (na edição da Dom Quixote que lemos) em nenhum momento surge qualquer enfado ou sonolência. Hesse é um mestre na utilização da palavra e é, portanto, um deleite ler as suas obras. Este é um livro muito recomendado!

domingo, 1 de agosto de 2010

Viagens Sentimentais

Viagens Sentimentais foi o primeiro livro do jornalista/escritor de viagens ou andarilho – para utilizar a expressão que com que o autor se auto-descreve – Tiago Salazar.
Salazar – de quem já tínhamos lido A Casa do Mundo – confirma-se como um excelente escritor de viagens, sobretudo porque Viagens Sentimentais permite ao autor oferecer outra faceta da sua forma de escrever, talvez porque os locais visitados por este livro – exceptuando a Europa – propiciam mais o relato das experiencias pessoais do autor.
Viagens Sentimentais é um grande livro de viagens, sobretudo no que toca ao relato de alguns paraísos perdidos em África, na América do Sul e na Ásia, nos quais Salazar escreve verdadeira poesia e encanta verdadeiramente o leitor que se apaixona totalmente pelos locais descritos.
Tiago Salazar conjuntamente com Gonçalo Cadilhe preenchem um lugar ainda pouco explorado no universo editorial livresco do nosso país. Apostar em autores como estes é permitir aos leitores viajar com os livros e conhecer universos perdidos.
Viagens Sentimentais é um livro para todos os apaixonados por este estilo de literatura. É, sobretudo, a garantia de um par de horas divertidas e cativantes.