quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A confissão de Lúcio

A confissão de Lúcio é uma obra de um dos grandes vultos da cultura literária portuguesa Mário de Sá-Carneiro, insigne poeta, contista e ficcionista, um expoente do Modernismo no nosso país.
A confissão de Lúcio – aliás, como a generalidade dos trabalhos de Sá-Carneiro – não é um texto de simples e fácil leitura ou compreensão, representando uma mescla entre o fantástico e o surreal na qual a narrativa parece encontrar a sua fonte essencial.
Mário de Sá-Carneiro é um escritor de enorme génio. A sua escrita é de uma perfeição encantadora e a sua imaginação perturbantemente delirante.
Em A confissão de Lúcio encontramos uma história bem construída e desenvolvida em torno da narração, em analepse, de factos e circunstâncias que justificam a não punição da personagem principal pela morte de um seu amigo. No entanto, como já referimos, a leitura deste texto assume-se de uma complexidade acima do normal devido ao surrealismo da exposição.
A confissão de Lúcio é um grande livro de um enorme escritor. A leitura deste género de obras é um imperativo categórico na medida em que a maioridade emocional e intelectual que se extrai da sua análise é um composto fundamental na formação do indivíduo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Narciso e Goldmundo

Narciso e Goldmundo é um das mais relevantes e famosos livros do escritor alemão – vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1946 – Hermann Hesse.
A obra de Hesse é vasta, polémica e docemente salpicada de uma natureza existencialista e filosófica, sendo que Narciso e Goldmundo pontifica como um exemplo perfeito desta dupla adjectivação.
Este é um livro repleto de uma leve, mas ao mesmo tempo poderosa, reflexão sobre o sentido da vida e lugar de cada indivíduo na sociedade. De um lado Narciso, homem ponderado, instruído da mais erudita sabedoria e sagaz observador da natureza humana. Encontra na religião o sentido da sua existência e um amor de difícil concretização. Do outro Goldmundo, eterno jovem, perspicaz, poderosamente selvagem e arguto. Na miríade de mulheres encontra a satisfação de uma alma inquieta e faz demanda constante pelo significado da sua existência o seu modo de vida.
Hermann Hesse é um dos mais brilhantes escritores do século XX. A sua escrita, dotada de uma impressionante sensualidade, apesar de pouco dedilhada, não deixa de impressionar pela capacidade de exprimir os difíceis significados de muitas realidades de uma forma singela e aparentemente perfeita.
Narciso e Goldmundo (sendo certo que não conhecemos muita da obra deste artista) parece seguir a linha de outros romances de Hesse onde a filosofia é a alma mater da mesma. Esta é uma obra a não perder, uma verdadeira obra-prima do romance filosófico, um livro muito fácil de ler e com um significado extraordinário.