terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Jogo das Contas de Vidro

O Jogo das Contas de Vidro é um maravilhoso e extraordinário romance do escritor alemão, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1946 e autor de alguns dos maiores e mais profundos romances do século XX, Hermann Hesse.
A nossa entrada no mundo particular de Hesse deu-se com a leitura de Siddhartha, um livro fantástico e mágico e que tem sido nosso ponto de referência ao longo dos últimos anos. Mais recentemente tivemos a oportunidade de ler Narciso e Goldmundo um magistral romance existencialista e de uma originalidade assinalável.
Hermann Hesse é um escritor polido e culto. Possui um verdadeiro talento enquanto contador de estórias e os seus livros estão repletos de frases mágicas e personagens encantadoras que embevecem o leitor e o cativam ao longo de toda a novela.
O Jogo das Contas de Vidro – por muitos considerado o melhor dos romances de Hermann Hesse – não foge à regra e é um livro excepcional. Hesse era um homem de uma cultura avassaladora e reflecte de forma perfeita o conhecimento do mundo na forma como se escreve, sendo que esta obra é paradigmática no que a este ponto diz respeito.
Em O Jogo das Contas de Vidro encontramos a narração da vida de Josef Knecht, mestre do jogo das contas de vidro. O estilo é bastante original (pelo menos do que conhecemos). Hesse relata a vida de um homem desde a sua infância até à sua morte como se estivesse a escrever uma biografia de alguém. Original porque na realidade Knecht é uma personagem absolutamente ficcional e porque a realidade retractada por Hesse nesta obra é também ela inexistente.
Sendo uma biografia não o é apenas no sentido de relatar a vivência de uma homem e os seus feitos mas também no sentido em que descobre as dúvidas, as opções e os sentimentos de um individuo confrontado com o domínio dos seu saber misterioso e o desejo de viver uma vida secular.
O Jogo das Contas de Vidro é um dos melhores romances que tivemos oportunidade de ler até hoje. Apesar da narrativa se estender por quase quatrocentas e cinquenta páginas (na edição da Dom Quixote que lemos) em nenhum momento surge qualquer enfado ou sonolência. Hesse é um mestre na utilização da palavra e é, portanto, um deleite ler as suas obras. Este é um livro muito recomendado!

1 comentário:

Vânia Caldeira disse...

Fiquei com bastante curiosidade de ler algo deste autor. Obrigada pela sugestão.