terça-feira, 4 de maio de 2010

Solar

Solar é o mais recente romance do escritor bestseller inglês Ian McEwan autor de Amesterdão entre muitos outros livros.
McEwan que é um dos mais galardoados e vendidos autores da actualidade e que recebeu prémios tão distintos como o Somerset Maugham Award, Whitbread Award, Booker Prize entre muitos outros revelou-se como uma das maiores desilusões que tivemos nos últimos anos e não pareceu justificar com este Solar qualquer prémio ou distinção que já tenha tido no passado.
Tudo porque este Solar é um livro muito fraquinho. O enredo é previsível, pobre, com o recurso a uma mistura quase patética entre a profundidade de uma análise científica e uma tentativa de sátira a um mundo proto-moderno onde o relativismo moral se assume como vector fundamental e onde as personagens são descritas com a profundidade de um filme de fim-de-semana.
McEwan é, talvez, um autor demasiado moderno e simples. Demonstra pouca atenção na pintura das cenas onde decorre a acção e não se conseguem compreender totalmente as personagens que cria. A ideia de um Prémio Nobel da Física que depois de galardoado se afasta da investigação e que acaba por desenvolver o trabalho feito por um amante da sua quinta mulher depois de ter assistido à sua morte acidental é, para sermos simpáticos, muito pouco interessante.
Todas as análises estão sujeitas a um determinado subjectivismo que deriva dos gostos pessoais de cada leitor. Para nós Solar não vale metade do dinheiro que gastámos com ele e McEwan passou a ser um proscrito. Este livro é uma farsa mas que cada um faça a sua própria interpretação.

5 comentários:

Marco Caetano disse...

Ora aí está uma opinião que muito me surpreende.
Tinha algumas expectativas sobre este livro, estava mesmo a pensar comprar, agora vou repensar :)
Foi o primeiro que leste do autor?

Continuação de boas letras...

Filipe de Arede Nunes disse...

Caro Marco,

Note-se o seguinte: eu não gostei do livro mas existem milhões de pessoas que idolatram Ian McEwan. Não te deixes, por favor, guiar por esta minha imagem.

Respondendo à tua questão: sim foi o primeiro. Para ser sincero deve também ter sido o último!

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Vânia Caldeira disse...

Adorei o "Expiação" do mesmo autor e andava com curiosidade para ler este. Confesso que agora fiquei de pé atrás... ;) Obrigada pela opinião.

Filipe de Arede Nunes disse...

Vânia,

Pessoalmente não gostei mas se já tiveste oportunidade de ler outras coisas do autor e gostaste talvez possas também gostar deste. É que isto das leituras tem uma grande dose de subjectividade.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Anónimo disse...

Li os dois, "Expiação" e "Solar", e é verdade que o primeiro está a anos-luz de distância do segundo; mas apenas porque Expiação é a obra-prima do escritor, a mais apreciada pelos leitores e a mais premiada também. O que não significa que "Solar" seja mau; o tema é outro e arrisca-se a sofrer por ser "demasiado actual": não sei se já terá sido estudado por especialistas, mas creio existir um fenómeno entre a comunidade dos leitores de ficção de alguma resistência ou inércia a personagens que utilizem o e-mail, escrevam num blog ou tenham um iPod.. pessoalmente, creio que é apenas um factor psicológico que provoca tal situação, no sentido em que o leitor fica um pouco com a impressão de que o autor se está a "exibir" com conhecimentos do séc. XXI; uma vez que ninguém gosta de um exibicionista... daí a resistência... mas como é óbvio, não passa disso, e como leitores devemos ser capazes de ultrapassar tais preconceitos e avaliar a literatura pelas suas qualidades literárias.. Solar poderá não ser uma obra-prima, mas também não é certamente um "muito-provavelmente-não-volto-a-pegar-neste-autor", porque quem perderá ser esse leitor, sobretudo se for a única obra do McEwan que leu.