terça-feira, 20 de abril de 2010

A Mulher Certa

A Mulher Certa é uma fantástica obra do escritor de origem húngara Sándor Márai (autor de quem já tivemos oportunidade de ler As velas ardem até ao fim) composta por 3 partes distintas – e ainda um epílogo.
Sándor Márai é um escritor genial e a sua escrita de uma profundidade inolvidável. A forma simples e directa com que se pronuncia sobre alguns dos mais intensos problemas do ser humano são um elogio à arte da escrita e revelam uma capacidade inigualável de compreensão da natureza humana.
A Mulher Certa é uma obra esplêndida onde encontramos a mesma história contada por três personagens diferentes, Marika, Péter e Judit – e um epílogo onde surge uma quarta personagem que ajuda a esclarecer alguns pontos em aberto – numa versão erudita de um triângulo sentimental.
O tema essencial deste livro é sociedade húngara na primeira metade do século XX e duas dicotomias: uma de natureza sentimental e outra de cariz social. O autor opta por se referir sobretudo à forma perfeita como as relações entre homens e mulheres evoluem e se completam, aos distanciamentos implícitos, ao amor, ciúme, compreensão e procura interior e, noutra dimensão, alude às relações sociais, à luta silenciosa entre o prole e o burguês, à inveja e às diferenças e desigualdades intrínsecas entre homens e mulheres e entre ricos e pobres.
A Mulher Certa é um romance de uma beleza extraordinária. Cativante, emocionante, perscrutador, capaz de suscitar questões e de oferecer algumas respostas, A Mulher Certa é uma obra que não pode deixar de ser lida. Talvez seja assim toda a obra de Márai, paradoxal, por um lado de uma complexidade evidente e de por outro de uma simplicidade tocante. A não perder.

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