quinta-feira, 18 de março de 2010

A Peste

A Peste é uma obra do francês Albert Camus – Prémio Nobel da Literatura em 1957 – e por muitos considerada a mais importante referência deste autor nascido na Argélia.
A obra de Camus não é de simples interpretação. O existencialismo latente nos seus livros está também patente em A Peste. As suas personagens, construídas e bordadas a fio de ouro, são, fruto da situação em que estão colocadas, exemplos da humanidade e do seu próprio contrário, da inumanidade.
O maior problema na obra de Camus para o leitor impreparado reside no facto de a alegoria estar construída de uma forma dissimulada, como se o próprio objecto do livro fosse o exemplo construído e não o seu significado mais oculto. Em Camus é necessário saber ler nas entrelinhas e procurar os mais dúbios sentidos.
É que A Peste não é um simples livro que pretenda retratar apenas a vida de uma cidade sujeita a um flagelo capaz de condenar à morte, em poucos meses, mais de metade de uma cidade. A Peste não é apenas uma obra de reflexão sobre o sentido da vida e da relação entre seres humanos impotentes quando confrontados com uma calamidade. A Peste não é um mero romance no qual se ilustram personagens mais ou menos profundas e se lhe atribuem sentimentos frágeis.
Não, A Peste é, talvez, o livro de Camus, no qual o autor francês coloca em causa os fundamentos da existência humana, põe a nu as fragilidades da virtude, da amizade, da tolerância e do amor, no qual questiona permanentemente o leitor sobre as bases fundamentais no qual assenta a sua entidade corpórea e terrena.
Albert Camus é um dos maiores escritores do século XX e A Peste é uma obra admirável. Apesar de tudo não é para ler em qualquer momento, é demasiado difícil para isso. Para ler este livro é preciso que ele nos chame!

1 comentário:

tonsdeazul disse...

Um dos meus escritores estrangeiros de eleição.
Este foi o primeiro que li e gostei tanto da sua escrita que as suas outras obras passaram a fazer parte das minhas leituras frequentes.
Os meus preferidos são "O Estrangeiro" e "A Queda".