quinta-feira, 11 de março de 2010

Gente Independente

Gente Independente é um romance (considerado pelo The Independent como o livro do século) do islandês laureado com o Nobel da Literatura em 1955 Halldór Laxness.
A opinião que os leitores têm de um determinado livro é sempre condicionada por um conjunto de factores de ordem diversa e que assentam, muitas das vezes, em considerações de natureza pessoal como os gostos intrínsecos de cada um. Gente Independente é aclamado, por grande parte da crítica, como um dos melhores romances do século XX. Não temos dúvidas, depois da leitura atenta que fizemos da obra, que Gente Independente é efectivamente um grande livro mas talvez esteja, apesar de tudo, longe de ser o melhor livro do século.
Laxness é, como alias a generalidade dos escritores com gabarito para ganhar um Nobel, um escritor culto, apurado e com uma escrita bastante precisa e clara. Em Gente Independente conseguem-se encontrar, com alguma facilidade, a expressão da adjectivação supra uma vez que a erudição do autor está presente em cada um das quase 500 páginas desta obra.
Não é fácil escrever uma obra sobre a génese e as características de um povo como faz Laxness neste livro. A forma quase poética como é narrada a vida de um pobre agricultor islandês na passagem do século XIX para o século XX é em muitas alturas comovente e enternecedora, sobretudo porque em Gente Independente encontramos uma história de coragem, de vontade, de luta constante do homem contra a natureza para além de uma profunda reflexão sobre a natureza do homem e as venturas de um povo incrustado num dos mais hostis ambientes do planeta. Encontramos também considerações de natureza filosófica e política: o individualismo versus o socialismo; a América versus a Rússia; a persistência versus a desistência; a independência versus a derrota!
Gente Independente não está entre os nossos dez romances favoritos de todos os tempos mas não é por esse motivo que deixa de ser um enorme livro. Um grande livro porque não só as personagens estão belissimamente bem construídas mas também porque é impossível não nos envolvermos no culto ao heróico povo islandês.
Esta é uma obra de fôlego. Um elogio à arte de retratar um povo e de cantar os feitos heróicos do mesmo. Gente Independente pode, talvez, não ser o romance do século mas é definitivamente uma obra imperdível!

2 comentários:

teresa disse...

Inteiramente de acordo.
Já tinha feito um comentário sobre este livro no "Ao sabor dos livros"

jacinto de campos disse...

Atenção que este GENTE INDEPENDENTE
não é a obra maior de Laxness, pois
esse título pertence ao SINO DA
ISLÂNDIA, que dificilmente poderá
ser traduzido - sem perder toda a
extraordinária força lírica e épica
que carrega em mais de mil páginas
deslumbrantes. O SINO DA ISLÂNDIA
é, no entender de muitos críticos
ocidentais, o mais grandioso e
ilustre romance do século XX.