quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Servidão Humana

Servidão Humana é um grandioso livro – estende-se por mais de 700 páginas – do inglês Somerset Maugham e talvez a sua obra-prima.
Temos vindo, ao longo dos últimos anos, a ler a obra deste escritor inglês (que foi também um dos grandes dramaturgos do século XX) com avidez e cautela, sendo que não podemos deixar de destacar O Fio da Navalha. A ASA fez agora o favor de republicar este fantástico romance.
Maugham é dotado de um enorme talento e capacidade de expressão. A sua escrita é leve, sem floreados ou arrebites, mas não deixa de ser profunda pelas questões que suscita e pelas personagens que são descritas.
Em Servidão Humana encontramos, como o próprio autor no prefácio refere, traços autobiográficos e experiencias reais reflectidas. Em Philip Carey, personagem central desta obra, verificamos existirem decalques da vida de Maugham podendo aquele ser considerado como um alter ego do autor. E Servidão Humana é um livro sobre Philip Carey, jovem órfão, que se vê confrontado com as dúvidas da juventude: Deus, a existência, o significado da vida, o destino, o amor, a condição humana.
Há obras marcantes, não tanto pela narrativa, mas sobretudo pelas questões que suscitam. Servidão Humana junta as duas coisas. Encontramos uma narrativa apaixonante (acompanhamos Philip Carey deste a juventude até à idade adulta), onde sofremos juntamente com a personagem, mas ao mesmo tempo somos despertados para um conjunto de questões de natureza meta-filosófica e sobre as quais não conseguimos deixar de pensar.
Servidão Humana é, reconhecido pela generalidade dos críticos, um dos grandes romances do século XX. A sua leitura é absolutamente obrigatória.

domingo, 6 de dezembro de 2009

As verdes colinas de África

As verdes colinas de África é uma obra do escritor americano premiado com um Prémio Nobel da Literatura em 1954 Ernest Hemingway.
Este romance, que é o resultado de um safari efectivamente feito por Hemingway durante a década de trinta, é um magnífico tratado sobre a arte da caça na qual o autor, na primeira pessoa, faz a descrição das caçadas feitas ao rinoceronte, ao leão, ao búfalo e ao antílope.
Hemingway, apesar de se auto-descrever como um fanfarrão (pelo menos no que diz respeito à caça) é, no nosso entender, um escritor despretensioso e profundamente realista. Das obras que temos lido sobre este escritor ficamos sempre com a ideia de que os seus relatos assentam sempre numa vivencia real das situações descritas, quer seja, como é neste caso (e pelo menos num outro), uma caçada, quer seja a passagem pela primeira guerra mundial (O Adeus às Armas), ou pela guerra civil espanhola (Por quem os sinos dobram).
Para mais Hemingway escreve de forma simples. Sem rodeios ou grandes artifícios é um grande contador de estórias que sabe como cativar o leitor e prende-lo à narrativa.
As verdes colinas de África é um clássico da literatura mundial e Hemingway um dos grandes artistas da palavra. Lê-lo não é importante é obrigatório, sendo que na temática das caçadas As verdes colinas de África é um livro essencial.