quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O cavaleiro inexistente

O cavaleiro inexistente é um pequeno romance do italiano Italo Calvino publicado pela primeira vez em 1959.
Calvino é um autor especial. Com uma singular simplicidade é capaz de transmitir ao leitor ideias de grande complexidade e profundidade.
Nesta obra Calvino narra-nos a estória de um cavaleiro que existe e que ao mesmo tempo não existe, sendo apenas uma armadura medieval, utilizando um estilo particularmente divertido, aproximando-se inclusive de uma verdadeira sátira.
O cavaleiro inexistente pode, no entanto, ser mais do que uma mera sátira, podendo ser uma alegoria sobre a vida e sobre o conceito de inexistência, porque ao longo das suas páginas podemos encontrar múltiplas reflexões sobre estas questões.
Este é um livro divertido e muito fácil de ler. Calvino é um autor polido, divertido e a leitura das suas obras é muitíssimo fluente, pelo que aconselhamos, indubitavelmente, a sua leitura.

domingo, 13 de setembro de 2009

O som e a fúria

O som e a fúria é uma obra do romancista americano William Faulkner, Prémio Nobel da Literatura em 1949 e que contém (na edição da Dom Quixote) uma particularmente bem escrita nota de introdução de António Lobo Antunes.
Nesta obra de Faulkner, dividida em quatro partes distintas, dá-se a conhecer a família Compson. A narrativa é feita por três indivíduos distintos: Benjy, Quentin e Jason, cada um com particularidades distintas e directamente relacionadas com o seu carácter e características específicas.
O som e a fúria é um livro violento e difícil que retracta a decadência de uma família do sul dos Estados Unidos e em particular a vida de Caddy Compson, irmã dos três narradores.
Faulkner, que domina a arte de bem escrever como poucos, dá largo uso à figura da analepse, sendo que em muitas situações torna-se difícil para o leitor contextualizar-se quer geográfica, quer temporalmente, sobretudo porque a primeira parte é narrada por Benjy, um atrasado mental.
Apesar da contextualização temporal ser uma dificuldade, a verdade é que apenas na última parte adquirimos uma noção completa da realidade que o autor nos pretende contar. As diferentes visões dos narradores propiciam uma amplitude estrutural de difícil manifestação.
O som e a fúria é a primeira obra que tivemos a oportunidade de ler de Faulkner, sendo certo que é considerada uma das suas obras-primas. Na realidade, esta é uma excelente obra (embora, como já referimos, difícil), e aconselhamos a sua leitura a quem procura na leitura não só um mero passatempo mas sobretudo o contacto com a genialidade.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Jogador

O Jogador é um intemporal romance de um dos grandes génios da literatura mundial Fiódor Dostoievski.
Nesta obra, Dostoievski apresenta ao leitor um relato, na primeira pessoa, de um russo jogador da roleta (conhecido jogo de casino), bem como as vicissitudes de uma família aristocrática e falida família russa, a confrontação com a alta sociedade do fenomenal século XIX e o amor da personagem principal por uma mulher, aparentemente, intangível.
Este foi o primeiro romance que tivemos a oportunidade de ler de Dostoievski. De facto, e como rezam a generalidade das críticas, este é um autor de grande genialidade e impacto. A sua escrita é fluida, sem grandes artifícios morfológicos ou linguísticos, mas profundamente tocante e lúcida. Em alguns aspectos, ainda que de forma muitíssimo mitigada, Dostoievski assemelha-se um pouco ao estilo queirosiano.
A estória de O Jogador, inspirada nas suas próprias experiencias, expõe-nos perante a loucura e cegueira da ambição dos homens perante a fortuna fácil e o reconhecimento externo. Narra-nos ainda a rápida decadência de muitas famílias aristocráticas e a actividade furtiva de muitos abutres da alta sociedade.
Naturalmente que a obra de Dostoievski é de grande importância e relevância na formação de qualquer leitor, sendo que este livro é, certamente, um dos cuja leitura é amplamente recomendada. É, sem qualquer dúvida, uma obra de grande qualidade.