segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O Nobre Sequestrador

O Nobre Sequestrador é um livro do brasileiro Antônio Torres que conta a estória de um corsário francês chamado René Duguay-Trouin que ficou conhecido pela invasão e sequestro da cidade do Rio de Janeiro que perpetrou no inicio do século XVIII.
Esta obra relata, em primeiro plano, a viagem do corsário francês bem como a própria invasão daquela importante cidade do império colonial português, embora seja também um elogio ao próprio Duguay-Trouin e descreva ainda a cidade francesa de Saint-Malo.
Antônio Torres foi uma agradável surpresa. O seu estilo bem delineado e a sua escrita fluida e perfumada foram um verdadeiro bálsamo, na medida em que não tínhamos expectativas muito elevadas relativamente a esta obra.
No entanto o autor surpreendeu-nos com uma narrativa lúcida e interessante baseado numa personagem que ilustra na perfeição a verdade de uma determinada realidade.
Para os portugueses, donos de um poderoso império conquistado através do domínio dos mares, é difícil compreender a actividade dos corsários – género de piratas ao serviço dos estados – mas Antônio Torres oferece-nos um quadro excepcionalmente bem pintado, conferindo cor a uma realidade, entre nós, praticamente desconhecida.
O Nobre Sequestrador é um romance histórico que embora não possa ser considerado uma obra-prima é um livro bastante agradável e que se lê com relativa facilidade. Por isso, todos os amantes deste género de literatura vão ficar positivamente bem surpreendidos ao lerem este livro de Antônio Torres.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Desejado

O Desejado é um romance de Aydano Roriz sobre a vida de El Rei D. Sebastião, o famoso monarca da dinastia de Avis que pereceu em Alcácer Quibir sem deixar qualquer descendente o que redundou, depois da morte do seu tio D. Henrique e da curta passagem do poder por D. António Prior do Crato na submissão de Portugal uma longa dominação castelhana que terminou em 1640.
Não foi a primeira vez que esta obra de Roriz nos passou pelas mãos. Na verdade, depois de lidos os primeiros capítulos, chegámos à conclusão que já havíamos lido esta obra. No entanto, Roriz não é um autor particularmente estimulante escrevendo as suas obras baseando-se em personagens históricas e romanceando a partir daí, pelo que não tínhamos qualquer recordação deste livro.
O Desejado é um típico romance histórico na qual o autor relata a vida de toda uma personagem criando à sua volta um enredo para o qual constrói estados de espírito e ficciona factos que possam ajudar a descortinar a história.
Da nossa parte devemos dizer que a obra está longe de ser fantástica. Aydano Roriz não é um autor particularmente dotado do ponto de vista do leque morfológico que utiliza ou dos subterfúgios imaginativos e o livro não chega a ser cativante. Seja como for, não deixa de ser mais uma opção dentro do género que representa os romances históricos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O homem sem qualidades II

Depois de várias horas de volta de Robert Musil, apresentamos desta feita a crítica ao segundo volume de O homem sem qualidades, magna obra deste escritor austríaco que a deixou incompleta.
O segundo volume desta obra, inicia-se com a morte do pai da personagem principal. Na sequência deste acontecimento, Urlich desloca-se até à sua terra natal onde vem a redescobrir a sua única irmã, sendo que a partir daí, todo o segundo volume recentra a sua orientação na relação entre os dois irmãos.
A ideia central da narrativa, não é apesar de tudo, afastada. Continua-se numa demanda por uma ideia fantástica, aludindo-se frequentemente a problemas metafísicos dissertando o autor sobre os mesmos. Parece-nos inclusive, que toda a narrativa apenas acontece para que Musil possa expor os seus pensamentos de uma forma mais ou menos ordenada.
Este volume de O homem sem qualidades não é o derradeiro, na medida em que existem notas para um terceiro volume que deverão ser editadas durante este ano.
Não podemos negar que ler esta obra de Musil é um feito complicado. Não sendo um romance – apesar da similitude em alguns momentos – o ritmo de leitura é lento e muitas vezes difícil de compreender.
Apesar de tudo é uma obra de referência.