sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Os Pilares da Terra II

Cumpre-nos hoje analisar o segundo volume de Os Pilares da Terra, monumental obra do britânico Ken Follett.
Como já havíamos dito na crítica ao primeiro volume, esta obra de Follett é um misto de romance histórico e policial, com todos os ingredientes que fazem com que os leitores se deixem prender e não consigam deixar de ler a obra.
A obra é complexa e simples ao mesmo tempo. Complexa porque se desenrola durante mais de 1000 páginas e cerca de 70 longos anos e porque envolve a participação activa de dezenas de personagens mais ou menos elaboradas. Simples porque a linguagem utilizada é acessível, porque tudo parece estar correctamente interligado e porque a narrativa é cativante.
Apesar de ser um bom livro e de o autor sem obviamente um grande contador de estórias, a verdade é que o livro parece ser um pouco excessivo em tamanho. Talvez não existisse necessidade de prolongar durante tanto tempo a luta eivada de um maniqueísmo dicotómico entre os bons e os maus.
Não conhecemos com suficiência a história da Inglaterra medieval do século XII. A verdade é que as ilhas britânicas na altura eram bem pobres cultural e tecnicamente e nunca nos sentimos fascinados pela sua realidade. Apesar de tudo, Follett apresentou-nos uma visão política da época extremamente bem conseguida, talvez porque a intriga política seja sempre um tema apetecível. Esta temática é um das principais deste segundo volume, assumindo uma preponderância enorme.
Em suma, Os Pilares da Terra são um bom romance histórico-policial e uma obra que tendo cativado ao longo dos últimos 20 anos milhares de leitores continuará a faze-lo no futuro. Para todos os amantes deste género de literatura, este é um livro a não perder!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os Pilares da Terra I

Os Pilares da Terra é uma obra em dois volumes (cumpre-nos agora analisar o primeiro) do conhecido escritor britânico Ken Follett que costuma presentear os seus inúmeros leitores com obras particularmente entusiasmantes.
Este livro de Follett é um misto de romance histórico e policial, que retrata a idade média inglesa (meados do século XII) numa encruzilhada de religião (que envolve a construção de uma catedral) e lutas pelo poder ao bom estilo dos romances de cavalaria.
Neste livro Follett oferece-nos uma palete ampla de personagens. Cuidadoso na pintura, Follett oferece-nos um mundo medieval à imagem dos filmes de Hollywood, repleto de damas e cavaleiros, bispos e reis, numa luta desordenada em busca de um bem maior, onde as personagens assumem na perfeição a imagem pincelada de um maniqueísmo dualista própria das estórias mais cativantes.
Para além de um rico leque de personagens, toda a trama é bastante fascinante, existindo múltiplas voltas e reviravoltas próprias dos policiais e que nos prendem página após página ao livro, numa ânsia sôfrega de saber o que ia na mente do autor.
Ficamos, após a leitura deste primeiro volume, particularmente interessados na continuação deste romance. A forma fácil e simples como Follett escreve funciona como bálsamo para todos aqueles que gostam de ler. É até ao momento um livro altamente recomendável.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O homem sem qualidades I

O homem sem qualidades é uma grandiosa obra de Robert Musil, escritor austríaco que nos legou um importante espólio literário onde se destaque este incompleto romance.
Antes de mais é fundamental deixar claro que Musil é um homem de grande cultura, tendo estudado engenharia e mais tarde filosofia, matemática e psicologia, tendo-se doutorado pela Universidade de Berlim em 1908.
Pelo seu turno, O homem sem qualidades (analisamos aqui o primeiro volume de 3) é um livro inexplicável, inarrável, majestoso e que nos coloca imensas dificuldades na sua análise.
Esta obra está repleta de um conjunto amplíssimo de personagens, todas elas descritas (num ponto de vista metafísico) até à exaustão, interligadas através do contacto directo, ou pelo menos com a realidade, da personagem que ocupa o epicentro da narrativa: Urlich.
Para além desta personagem central, existe uma temática que parece ser objecto secundário deste romance (optamos pela qualificação como romance, por exclusão de partes e de não sabermos como o qualificar), que se relacionado com as comemorações do jubileu relativas ao Imperador Austríaco Francisco José I, ao foi atribuído o nome de “Acção Paralela”.
Apesar de existirem estes dois conteúdos que são constantes ao longo da narrativa, Musil inunda-nos ao longo desta obra com uma miríade de referências literárias e culturais (muitas das quais nunca tinha ouvido sequer falar), impressas na própria obra, ou através de citações devidamente identificadas.
Acresce ainda à irredutível cultura do autor – que nos deixa avassalados e contundidos – que este livro está repleto de meta-reflexões sobre o sentido da existência, o homem, a vida e as mais impensáveis questões que podem afectar a humanidade.
Este é um livro inacabado – apesar da obra continuar por mais dois volumes, dos quais daremos conta brevemente – pelo que não sabemos se será possível adquirir a plenitude do pensamento do autor quando se propôs a escrever esta obra. Não podemos no entanto deixar de aconselhar a leitura de O homem sem qualidades, que corresponde por inteiro à fama com o qual vem catalogado. Este é, certamente e apesar das muitas dificuldades, uma das maiores obras literárias que tivemos oportunidade de ler até hoje.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Meu Portugal brasileiro

Meu Portugal brasileiro é o mais recente romance de José Jorge Letria, conhecido jornalista, que retrata a estória de um jovem militar português que se vê envolvido na rocambolesca debandada portuguesa para o Brasil a quando das invasões francesas.
Este livro é um típico romance histórico que trata um tema que tema que tem preenchido muitas páginas ao longo dos últimos anos: a presença da corte portuguesa no Brasil e a subsequente independência deste país.
José Jorge Letria, baseando-se numa personagem fictícia, ilustra-nos ao longo desta obra a realidade da corte portuguesa naquele território da América do Sul e elucida-nos sobre a realidade da família real e do crescimento da colónia até atingir o patamar de maturidade política que lhe permitiu a independência sob o império de D. Pedro.
Para embelezar uma estória que não tem nada de original, o autor pinta-nos a realidade através de um jovem militar que acompanha de perto a realidade da corte. A particularidade da estória, é que José Jorge Letria confere uma importância decisiva a esta personagem que ocupa, na primeira pessoa, o centro da narrativa.
Esta é uma obra agradável, embora padeça de dois grandes vícios: em primeiro lugar o autor, na tentativa de querer ser historicamente correcto, inclui demasiados pormenores na narrativa, mesmo que os mesmos não se enquadrem na globalidade da obra; em segundo lugar, a forma como a personagem principal está criada é surreal, na medida em que representa o homem perfeito que praticamente só tem virtudes. É culto, cavalheiro, erudito, leal, submisso, curioso, galante entre um conjunto de outros adjectivos que apenas o beneficiariam.
No computo geral, podemos dizer que é um livro simpático e de leitura fácil e que para os amantes deste período da história poderá ser uma mais-valia.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Nova Lusitânia

Nova Lusitânia é um livro de Aydano Roriz, autor brasileiro na área dos romances históricos, que nos narra a vida de Duarte Pinheiro (capitão donatário de uma parcela das possessões portuguesas na América do Sul) no período áureo dos descobrimentos portugueses.
Roriz, baseando-se numa personagem histórica, reconstitui a vida de um português deste a sua mais tenra infância na zona do Porto até ao ocaso da sua vida depois de ter estado no meio mundo português da época.
O estilo de Roriz é simples. A leitura é agradável e leve. Apesar de tudo, são frequentes as analepses, recurso muito utilizado por este autor para recordar momentos passados das personagens.
Naturalmente que não estamos presentes perante um grande clássico da literatura mundial, mas seguramente que todos aqueles que gostam dos romances históricos pela possibilidade que estes conferem de adquirir mais alguns conhecimentos de um determinado assunto específico, vão ficar agradados com esta obra.