quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O homem sem qualidades I

O homem sem qualidades é uma grandiosa obra de Robert Musil, escritor austríaco que nos legou um importante espólio literário onde se destaque este incompleto romance.
Antes de mais é fundamental deixar claro que Musil é um homem de grande cultura, tendo estudado engenharia e mais tarde filosofia, matemática e psicologia, tendo-se doutorado pela Universidade de Berlim em 1908.
Pelo seu turno, O homem sem qualidades (analisamos aqui o primeiro volume de 3) é um livro inexplicável, inarrável, majestoso e que nos coloca imensas dificuldades na sua análise.
Esta obra está repleta de um conjunto amplíssimo de personagens, todas elas descritas (num ponto de vista metafísico) até à exaustão, interligadas através do contacto directo, ou pelo menos com a realidade, da personagem que ocupa o epicentro da narrativa: Urlich.
Para além desta personagem central, existe uma temática que parece ser objecto secundário deste romance (optamos pela qualificação como romance, por exclusão de partes e de não sabermos como o qualificar), que se relacionado com as comemorações do jubileu relativas ao Imperador Austríaco Francisco José I, ao foi atribuído o nome de “Acção Paralela”.
Apesar de existirem estes dois conteúdos que são constantes ao longo da narrativa, Musil inunda-nos ao longo desta obra com uma miríade de referências literárias e culturais (muitas das quais nunca tinha ouvido sequer falar), impressas na própria obra, ou através de citações devidamente identificadas.
Acresce ainda à irredutível cultura do autor – que nos deixa avassalados e contundidos – que este livro está repleto de meta-reflexões sobre o sentido da existência, o homem, a vida e as mais impensáveis questões que podem afectar a humanidade.
Este é um livro inacabado – apesar da obra continuar por mais dois volumes, dos quais daremos conta brevemente – pelo que não sabemos se será possível adquirir a plenitude do pensamento do autor quando se propôs a escrever esta obra. Não podemos no entanto deixar de aconselhar a leitura de O homem sem qualidades, que corresponde por inteiro à fama com o qual vem catalogado. Este é, certamente e apesar das muitas dificuldades, uma das maiores obras literárias que tivemos oportunidade de ler até hoje.

5 comentários:

t i a g o . disse...

Tenho uma dúvida... não será de uma leitura um pouco aborrecida? ou lê-se bem?

Tiago

Filipe de Arede Nunes disse...

Tiago,

É uma leitura difícil, mas não aborrecida.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Carriço disse...

Esta análise à obra serviu para uma coisa: engordar ainda mais a minha curiosidade. Se passar por uma livraria nos próximos tempos, sei que não virei de mãos vazias.

Saudações

Pedro disse...

Bem, visto ser assim tão grande... Fiquei mais que curioso!

Anónimo disse...

porque um autor com desse calibre é tão pouco comentado?