domingo, 28 de dezembro de 2008

Mulheres 2.0: o amor nos tempos da blogosfera

Mulheres 2.0: o amor nos tempos da blogosfera, é o primeiro livro de João Gomes, jovem autor português, antigo colega da Faculdade de Direito de Lisboa, editor da Chiado Editora e director do jornal Portal Lisboa.
João Gomes nesta obra pretende dar a conhecer quatro estórias de mulheres do século XXI português e mais particularmente episódios da vida de quatro lisboetas confrontadas com os problemas diários de uma geração que definitivamente se emancipou dos resquícios conservadores do século XX.
A obra é simples e pequena. Resulta de um esforço difícil para um homem, que é o de se colocar na pele de mulher e sentir como estas sentem.
Para nós, que temos um vínculo de amizade com o autor é-nos difícil fazer uma análise perfeitamente imparcial da obra. A editora é pequena pelo que o livro acabará por não conseguir uma expressão comercial significativa, mas estamos em crer que a publicação desta obra possa servir para lançar o João para voos mais altos.
Assim sendo, e ao contrário do que habitualmente fazemos, hoje não deixamos aqui um conselho sobre se vale ou não a pena ler o livro. Não seria justo para com o nosso amigo João Gomes e sobretudo não seria justo para com os nossos leitores.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O Malhadinhas

O Malhadinhas é um livro de Aquilino Ribeiro que, na edição que tivemos oportunidade de ler, inclui ainda a novela Mina de Diamantes.
Este livro, que é então a junção de dois trabalhos diferentes, inclui uma primeira novela a que o autor deu o nome de O Malhadinhas, que retrata a estória de um almocreve beirão e as suas múltiplas aventuras, desde a sua juventude até à velhice.
Está escrito numa linguagem rústica em grande parte porque acreditamos que foi esse o desejo do autor que mostra uma inigualável capacidade de expressão num vocabulário vernáculo bem representativo da época histórica e da região que pretende ilustrar.
A estória é divertida e coloca em causa alguns dos princípios morais a que estamos habituados nos dias de hoje, sendo certo que a forma encontrada por Aquilino para nos dar a conhecer o Malhadinhas nos permite manter uma certa equidistância face às opções assumidas pela personagem.
Já a novela Mina de Diamantes se desenvolve em duas realidades físicas distintas. Uma primeira fase no Brasil – mais precisamente no Rio de Janeiro – e depois em Portugal. É a estória de um emigrante português na América do Sul que regressa ao seu país de origem para visitar a família.
Esta última, é uma novela cáustica. Põe em causa as motivações de um homem que se faz apresentar na sua terra natal como se fosse dono de uma mina de diamantes, distribuindo benesses pelos conterrâneos ao ponto de ser condecorado e chamado de Comendador.
Não podemos dizer que este livro nos tenha entusiasmado particularmente. As narrativas são morfologicamente ricas e estão efectivamente escritas com labor e arte, mas o vocabulário utilizado é confuso e difícil e nem por isso as estórias são particularmente interessantes. No entanto, para os amantes da literatura em língua portuguesa, o nome de Aquilino Ribeiro continua e continuará a ser incontornável.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O jogo do Anjo

O jogo do Anjo é o mais recente romance do catalão Carlos Ruiz Zafón, autor do célebre A sombra do vento e um dos mais aclamados e brilhantes escritores da actualidade.
À semelhança do seu anterior romance, a nova obra de Zafón decorre na maravilhosa cidade de Barcelona e tem como epicentro da estória os livros que parecem ser uma constante feliz.
Ao contrário do que possa à primeira vez parecer, esta obra de Zafón não é fácil. Para além da evidente trama onde David Martin assume o papel principal como escritor, a verdade é que o livro consegue ir muito mais longe. Tem um certo tom místico e secreto, uma estória encoberta e onde as personagens deixam de estar presas à realidade concreta para serem de origem metafísica e irreal. Estamos mesmo em crer que a verdadeira estória nem sequer chega a ser contada e o todo o livro é um breve prelúdio para algo que ficou por escrever.
A escrita de Zafón é fluida, melódica, simples ritmada e metódica. Cada capítulo encerra uma acção e abre o apetite para a acção seguinte. O autor consegue com que o leitor viva num rodopio constante, numa ânsia vertiginosa em busca da revelação da página seguinte. As últimas páginas então, decorrem numa velocidade alucinante.
Posto isto é fundamental referir que o livro não é apenas um romance, visto que é também um policial de grande qualidade.
As personagens estão fantasticamente definidas com sal e pimenta. Transpiram toda a informação necessária e não contam mais do que o essencial para que não consigamos deixar de tentar perscrutar na mente do autor os mais ínfimos pensamentos que estiveram na origem da criação de cada uma das personagens.
As descrições, quer dos lugares, quer da narrativa são de enormíssima qualidade. Estamos em crer que Zafón é um dos escritores da actualidade que consegue brilhar mais nas suas pinturas. A palete de cores que tem na sua disponibilidade parece infindável. Cada nova acção é mosqueada com pura poesia.
A escrita de Zafón é cativante. Não poderíamos nunca dormir descansados se não aconselhássemos vivamente a leitura deste livro. É uma pérola que tem de constar em todas as bibliotecas pessoais.