sábado, 25 de outubro de 2008

Fome

Fome, é uma obra do laureado com o prémio Nobel da Literatura no ano de 1920, Knut Hamsun, que retrata a os devaneios de um jovem escritor confrontado com a pobreza extrema e a fome.
Este livro, que conta com um prefácio de Paul Auster, é considerado por muitos uma verdadeira obra-prima literária do final do século XIX e que terá influenciado autores como Franz Kafka e Henry Miller.
Hamsun, descreve, utilizando a personagem como narrador na primeira pessoa, a vida de um jovem escritor na cidade de Kristiania (actualmente Oslo). Desde a primeira página, somos confrontados com a vida diletante de uma personagens que não consegue arranjar maneira de providenciar pelo seu sustento.
A personagem, que vive numa agonia diária em virtude de não ter o que comer, deambula pelas fantasiosas tentativas de produzir artigos para jornais da cidade, numa luta desenfreada com a satisfação das suas necessidades mais básicas. Na maior parte dos dias, não tem o que comer e não é capaz de pagar um alojamento. Apesar da miséria extrema com que é confrontado, a personagem consegui resistir, quase que estoicamente, a se tornar num pedinte ou ladrão.
Ao longo da narrativa, ficamos muitas vezes com a ideia de que esta personagem – quase que a única, porque nenhuma das personagens secundárias tem destaque suficiente – vive num estado de loucura, provavelmente induzida pela fome que o impede de raciocinar e de optar pelas soluções mais vantajosas.
Apesar de tudo, a loucura de que falamos, é susceptível de ser confundida com uma profunda luta interior da personagem que batalha arduamente por se guiar de acordo com um elevado padrão de moralidade. Daí que se recuse a roubar; que não aceita esmolas; que, apesar da miséria absoluta em que vive, faça o possível por ajudar os mais pobres.
Este é um livro interessante. Uma visão realista de uma sociedade em concreto. Um jovem, habituado a conviver com as mais altas classes sociais, erudito, vê-se mergulhado numa desgraça que o destrói.
Desta forma, não deixaremos de aconselhar esta obra de Hamsun e de esperar que outros livros do mesmo autor sejam publicados no nosso país.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O arquipélago da insónia

O arquipélago da insónia é o mais recente livro de António Lobo Antunes um dos mais galardoados escritores portugueses e um nome de vulto na literatura nacional e internacional.
Este livro é um exercício literário de enorme alcance e profundidade, fugindo à regra tradicional do género romance, num conjunto articulado, mas por vezes aparentemente anárquico, de conjugação de interjeições e descrições penetrantes e arrebatadoras.
É difícil definir concretamente o objecto desta obra: talvez relate a estória de uma decadente família de latifundiários, onde se reúnem indivíduos únicos e os seus mais intensos e perturbadores pensamentos.
Não conseguimos afirmar peremptoriamente que determinada personagem é o centro da narrativa, mas podemos dizer que esta função é principalmente desempenhada por um dos elementos mais jovens da família, o neto do patriarca que tudo comanda numa postura de extrema rigidez.
A confusão do estilo seguido, faz-nos perder entre as análises metafísicas do comportamento das personagens que nos dá o narrador. Não existe uma estória estruturada, ou sequer a sua aparência.
É um livro extremamente difícil. Será provavelmente o livro mais complicado que tivemos oportunidade de ler até ao momento. Estamos convencidos, que a originalidade (pelo menos para nós) do estilo não conseguirá entusiasmar a grande maioria dos leitores.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Uma Família Inglesa

Uma Família Inglesa é uma obra do escritor português Júlio Dinis, que versa sobre a vida de uma família inglesa que habita a cidade do Porto na segunda metade do século XIX.
O romance do século XIX português encerra sempre uma certa dose de crítica social reflectida numa panóplia de várias personagem-tipo representativas de grupos que representam determinadas características concretas e distintivas.
Esta obra de Júlio Dinis é um romance na mais conhecida acepção da palavra que conta a estória do jovem de ascendência inglesa Carlos Whitestone, diletante por profissão, que se enamora por uma desconhecida numa festa de Carnaval.
Todo o romance gira em torno deste acontecimento, desenvolvendo as relações familiares em torno de uma peculiar família inglesa – como muitas outra que existiam no Porto e zonas limítrofes durante a época em causa – e as directas incidências junto dos negócios desta família.
As personagens da estória estão bem desenvolvidas e o ambiente que o autor escreve – sendo que nós não conhecemos o Porto do século XIX – é cativante e de certa forma semelhante à imagem que Eça de Queirós nos dá em Os Maias.
Este livro foi lido imediatamente após a leitura de A Morgadinha dos Canaviais. Encontramos nesta obra alguns dos pontos de referência que nos fizeram elogiar a obra maior de Júlio Dinis, mas a verdade é que não consideramos Uma Família Inglesa tão completa e rica como A Morgadinha dos Canaviais. Seja como for, este é um bom exemplo do realismo português que não deixamos de aconselhar.