sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Rapariga que Inventou um Sonho

A Rapariga que Inventou um Sonho é um livro de contos de Haruki Murakami, famoso escritor japonês.
Esta obra que reúne 24 contos escritos por Murakami entre 1981 e 2005 é um elogio à arte de bem escrever.
Cada um dos pequenos textos conta a história de uma personagem diferente, quando confrontada com um acontecimento ou uma imagem fora do vulgar.
Murakami, além de escrever sedutoramente, é um escritor absolutamente louco. Cada uma das suas histórias é fruto de uma imaginação mirabolante, de uma ideia que à partida pode ser mesmo absolutamente descabida, chegando ao ponto de um leitor absolutamente racional poder achar o livro demasiado longe da realidade, absolutamente fantasioso.
Apesar de considerarmos que Murakami sai fora do padrão habitual do que se escreve, a verdade é que este autor fala de pessoas e retrata-as de uma forma tão profunda que por vezes chegará ao mais intimo intelecto, aquele onde os nossos pensamentos fogem também por vezes dos cânones da normalidade.
Sou um fã de Murakami. Bebo cada uma das suas frases como se fosse a último e tento dosear a leitura dos seus livros. Não quero acaba-los já. Quero saber que depois de tantos livros que apenas nos trazem algo que pode ser expectável, existe sempre uma ideia de Murakami que nos ilumina e nos permite sonhar.
Aconselho vivamente, não apenas este livro, mas toda a sua obra. Murakami é um best seller mundial. Provavelmente não serei apenas eu que o considero verdadeiramente genial!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Nos passos de Magalhães

É uma maravilha ler Gonçalo Cadilhe.
O espírito e o sonho flutuam em conjunto na mochila deste viajante-escritor, percorrem os seus passos cheirando as flores que se abrem à sua passagem.
Nos passos de Magalhães é um livro particularmente bem escrito, o que vem, aliás, na linha de todos os seus trabalhos.
Esta obra conta-nos a história de Fernão de Magalhães, o homem responsável pela primeira viagem de circum-navegação do nosso planeta, desde os primeiros tempos de vida, até à sua trágica morte.
Cadilhe, aproveitando o fascínio pela personagem histórica que foi Magalhães propõe-se neste trabalho a seguir os seus passos desde a altura do seu nascimento – quiçá em Sabrosa – até ao extremo oriente, onde acabou por sucumbir.
Pelo intermédio relata ainda a sua presença na construção do império marítimo português do oriente, até à passagem pelas sangrentas batalhas no norte de África.
Esta obra não é apenas um livro de viagens, é também um biografia de Magalhães, o que é para mim algo de verdadeiramente original.
Fiquei deliciado desde o primeiro parágrafo e li este livro no ápice e não poderíamos deixar de recomendar a sua leitura o mais rapidamente possível. Agora, só nos resta ficar à espera das próximas viagens do nosso Cadilhe!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Os milagres do Anticristo

Os Milagres do Anticristo é um romance de Selma Lagerlöf, a primeira mulher a receber um prémio Nobel da literatura em 1909.
A história desta obra recai sobre a temática da religião/política, sendo certo a relação entre ambos os temas só se descortina nas últimas páginas do livro.
Este livro conta-nos várias pequenas histórias, todas relacionadas com os mesmos intervenientes, uma imagem de Cristo, Donna Micaela, uma cidade absorta numa realidade onde a pobreza é rainha que é Diamante, sendo que todos os milagres são resultado da intervenção da imagem de Cristo.
A especificidade desta imagem de Cristo reside no facto de a mesma ser a cópia de uma outra, sendo que esta tem a inscrição “o meu reino é só deste mundo”, ou seja, exactamente o oposto daquela que deveria ser a verdadeira mensagem de Cristo.
Depois de um longo excurso em que se narram os milagres desta imagem de Cristo, chega-nos a relação com a política, mais precisamente com o socialismo e a forma como ele se expressa em Itália, mais particularmente na Sicília.
A relação que se estabelece entre estas duas realidades é apenas imediata no final da obra, sendo certo que corresponde a uma ideia não comummente aceite ou generalizada.
Pela minha parte tenho de confessar que não gostei desta obra. É enfadonha, com uma história que considero pouco cativante, com personagens pouco atraente e sobre uma temática que – pela forma como foi colocada – não me suscita grande interesse.
Seja como for, há quem discorde desta ideia, como por exemplo no blog À Margem.
Depois de compararem as críticas, façam a vossa opção.