quinta-feira, 27 de março de 2008

Serviços Secretos Portugueses

Serviços Secretos Portugueses é uma obra de investigação de José Vegar que faz uma análise histórica dos serviços secretos nacionais com particular incidência na actual realidade fruto da revolução de Abril de 1974.
É preciso dizer em primeiro lugar que este livro está particularmente bem redigido. A escrita é acessível apesar da profundidade do tema, mesclada entre exposição pura de trabalho de investigação e a ilustração de factos e hipóteses através do desenvolvimento de pequenas histórias ficcionadas.
José Vegar transporta-nos a um fantástico mundo com esta obra, através da demonstração clara e inequívoca da necessidade premente de ter serviços secretos organizados e com competência para avaliação das actuais realidades nacionais e internacionais, com particular referência à realidade pós 11 de Setembro e ao terrorismo de índole islâmica.
Ao contrário do que o leitor pode eventualmente esperar, este livro não conta histórias como a do James Bond, mas sim as das pessoas reais, que trabalham em arquivos, infiltrados em organizações criminosas e por vezes em espionagem comercial.
Apesar de se encontrar na mesma linha dos livros analisados recentemente, e apesar desta obra não ser um romance, acreditamos que este livro poderá ser do interesse e suscitar paixão a qualquer leitor habitual, pelo que, sem dúvida nenhuma que o aconselhamos vivamente.

quarta-feira, 26 de março de 2008

ONU – História da Corrupção

ONU – História da Corrupção, é um livro de Eric Frattini que relata a história de mais de 60 anos de corrupção, fraude, abusos sexuais, subornos, tortura, má gestão, no seio de uma organização com carácter supra nacional.
Esta obra relata com pormenor o envolvimento em escândalos de natureza criminosa de vários secretários-gerais da organização, desde a caça às bruxas no tempo de McCarthy, passando pelas ligações de Kurt Waldheim ao regime nazi e culminando com o envolvimento do filho de Kofi Annan no escândalo do programa “Petróleo por Alimentos”.
É um livro expositivo, denso, repleto de dados e pormenores, de avaliações subjectivas – e outras objectivas – é o resultado de um trabalho de investigação que põe em causa o prestigio de uma organização que nasceu com o fim da 2.ª Guerra Mundial e que não parece não conseguir prosseguir os fins a que se propôs.
À semelhança das obras mais recentes que aqui foram criticadas, este livro está muito longe de ser um romance. É um trabalho de investigação sobre uma temática muito específica, pelo que dificilmente se poderá considerar uma obra apelativa para o leitor média que procura um livro que o faça viajar pelo mundo da boa literatura dos romances.
Neste sentido, aconselhamos esta obra, apenas aos que tenham um interesse particular pela história, pelo mundo que nos rodeia e por esta organização – ONU – sendo que os leitores de romances puros acharão este livro perda de tempo.

sexta-feira, 14 de março de 2008

A Suiça, o Ouro e os Mortos – A questão do ouro nazi

A Suiça, o Ouro e os Mortos – A questão do ouro nazi é um livro de Jean Ziegler – autor suíço com uma extensa obra literária, antigo professor universitário e actualmente relator especial da Comissão dos Direitos do Homem das ONU – que conta, citando dados consubstanciados em números, a história da intervenção suiça durante a 2.ª Guerra Mundial.
Não é fácil fazer uma crítica literária a este género de livros onde não é a forma que interesse mais sim o conteúdo. Um livro repleto de dados, citações de relatórios e análise de contextos e personalidades representa um desafio enorme e de difícil concretização.
No entanto, e circunscrevendo-nos ao livro, é preciso dizer que o mesmo segue a linha deste autor, que normalmente se apresenta muito crítico face ao status quo vigente e dominante, o que dificulta o entendimento do leitor se o que está escrito representa ou não uma visão imparcial da realidade.
Outro dos problemas deste género de livros e de formas de exposição prende-se ainda com o facto de não existir direito ao contraditório. A forma taxativa como os factos são apresentados pode levar-nos a tomar conclusões precipitadas.
Neste livro em particular Jean Ziegler critica exaustivamente a política de falsa neutralidade da Suiça durante a 2.ª Guerra Mundial, acusando os governantes suíços, bem como os bancos deste país de terem financiado o esforço de guerra nazi, branqueando o ouro roubado aos diversos estados ocupados pelo regime de Hitler, bem como aquele que foi retirado aos judeus assassinados nos campos de concentração e extermínio.
No seguimento de algumas das obras já aqui analisadas, aconselhamos a leitura deste título apenas aos que gostam de história e em particular do período referente à 2.ª Guerra Mundial, não o recomendando, de maneira nenhuma, aos amantes da literatura de romance.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Império à deriva

Império à deriva é um livro de Patrick Wilcken que conta a história da fuga da família real portuguesa para o Brasil na sequência das invasões francesas, num estilo documental e não através de um romance histórico como se poderia eventualmente antever, face ao popular de obras neste registo.
Na sequência das invasões francesas, inicialmente lideradas por Junot, a família real portuguesa – sendo na altura D. João VI o monarca regente, em virtude da loucura declarada da sua mãe D. Maria I – foi forçada a fugir para o Brasil.
A viagem épica – podemos afirmar – que levou cerca de 10.000 portugueses para o Brasil no início do século XIX, transportando para a América do Sul uma corte absolutista, em muitos sentidos medieval e burocrática, é narrada brilhantemente por este autor que nos surpreendeu pela qualidade de transformar um possível ensaio histórico, numa obra verdadeiramente interessante.
Com a família real no Brasil, o Rio de Janeiro – capital do Império durante este período – transformou-se de um entreposto comercial numa cidade ao estilo europeu, sendo que se terá mesmo chegado a considerar a possibilidade de fundar um novo Portugal em terras de Vera Cruz.
As intrigas reais, as mudanças estratégicas e o grito do Ipiranga dão cor e luz a uma obra que não podemos deixar de aconselhar, incluindo a todos aqueles que, apesar de não gostarem muito de história, não querem deixar de saber um bocadinho mais sobre a transformação de Portugal de um Estado absolutista a um Estado liberal.