quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Status Ansiedade

Status Ansiedade é um livro de Alain de Botton que discorre sobre o conceito de status numa perspectiva histórica, procurando contextualizar o fenómeno com recurso a imagens, citações e muitos exemplos.
Esta obra não é um romance, nem sequer um ensaio. É como se fosse uma peça jornalística, uma reportagem, ou talvez um documentário, sendo que aborda o tema construtivamente, como se de um ensinamento se tratasse.
É um livro muito fácil de ler. Apesar das mais de 300 páginas que tem, a verdade é que o mesmo tem muitas imagens que ilustram as ideias do autor.
Devo confessar que este não é um estilo ou um género que me agrade particularmente. Como livro documental, é insusceptível de provocar as paixões que os romances provocam, apesar de nos fazer reflectir sobre um tema que nos afecta diariamente, ou seja, sobre a nossa relação com a sociedade e connosco próprios.
Seja como for, para aqueles que procuram que os livros contem uma boa história, esta não será a obra que procuram!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Homem que viveu duas vezes

O Homem que viveu duas vezes é o primeiro romance de Carlos Machado e conta a história de Alcina e João Hermínio, desde o momento em que se conhecem – no final dos anos 40 – até ao momento do seu reencontro 25 anos depois.
Este romance, pintado num tom nostálgico, com brilhantes ilustrações da vida nas aldeias portuguesas do interior transmontano, emprega uma linguagem tipicamente serrana, dando vida a personagens emotivamente ricas e preenchidas.
O romance é dividido em duas partes e com dois interlocutores diferentes, que são as duas personagens principais, numa técnica que resulta e que nos dá a perspectiva e imagem da mesma situação vista por duas personagem diferentes. O recurso aos pensamentos das mesmas, possibilita-nos completar a situação de uma forma esclarecida e original.
O recurso à prolepse permite-nos um profundo enquadramento da história e ao mesmo templo completar com o que aconteceu no passado o vácuo temporal de 25 anos de história.
O Homem que viveu duas vezes foi uma agradabilíssima surpresa, uma vez que o autor é recente e a história é por si encantadora, quer pelo estilo do autor, quer pela imaginação vertida na narrativa.
Face aos predicados aqui suscitados, naturalmente que este é mais um romance que aconselhamos a todos aqueles que procuram uma história bem conseguida, mas acima de tudo, a todos os que procuram boa literatura portuguesa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A Relíquia

A Relíquia é um das obras do mestre Eça de Queirós que conta a história de Teodorico Raposo, jovem bacharel em Leis que habita com a sua rica e velha Tia – D. Patrocínio das Neves – típica beata portuguesa, com a qual mantém uma relação algo distante, apesar das múltiplas inflexões ao longo da história.
Durante a narrativa, Teodorico, jovem e boémio procura através da prática de uma vida – aparentemente – casta cair nas boas graças da sua tia e herdar sua grande fortuna que parece estar prometida à Igreja.
Apesar das suas tentativas, Teodorico raramente consegue resistir aos seus mais animalescos impulsos.
Quando finalmente a tia Patrocínio das Neves ganha alguma confiança com Teodorico, este faz em seu nome, uma viagem à Palestina em peregrinação, com a promessa de trazer para titi uma grande relíquia.
Longe dos olhares da sociedade lisboeta e das rígidas regras da sua tia, Teodorico prossegue a sua vida de deboche nas grandes cidades do Oriente, até finalmente chegar a Jerusalém, onde em sonho, se imagina a assistir ao julgamento de Jesus Cristo, até finalmente regressar a Lisboa para o epíteto final da história.
Eça de Queirós é sarcástico e mordaz na crítica social que faz.
Acreditamos, que mais do que a crítica à hipocrisia de Teodorico, a maior crítica se faz a uma certa beataria portuguesa do século XIX. As personagens tipo criadas por Eça, na sublime e magnífica descrição em que o autor é exemplar, conjuntamente com os cenários detalhados e perfumados, dão um colorido especial a esta obra que naturalmente aconselhamos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Gulag: Uma história.

“Gulag: Uma história”, um livro de Anne Applebaum escritora norte-americana, não é um romance, é um profundo e longo trabalho sobre a história dos gulag soviéticos deste a sua moderna criação logo após a revolução bolchevique até ao seu fim com a perestroika de Gorbatchev e que foi prémio Pulitzer em 2004 para a categoria de não-ficção
O livro foi feito, essencialmente com base nas informações recolhidas através dos arquivos que foram disponibilizados, em entrevistas a antigos prisioneiros e com recurso a longas citações recolhidas entre as memórias publicadas.
Os gulag, que foram uma extensa rede de campos de escravidão construídos durante o reinado soviético, eram verdadeiras fábricas ao serviço do regime totalitário que teve o seu apogeu com a era de Estaline, onde milhões de pessoas, numa enorme teia que se espalhava pelos mais remotos lugares da União Soviética.
As condições miseráveis em que milhares de presos se acumulavam, a forma como criminosos se misturavam com presos políticos, a loucura de um regime que não olhava a meios para atingir os seus fins – embora na realidade nem isso conseguisse – as animalescas condições em que os prisioneiros eram transportados chocam pela imagem que transmitem de desrespeito pelo género humano, numa imagem que se pode assemelhar apenas ao que acontecia entre as fábricas de morte do regime nazi.
Queremos deixar bem claro que este é um livro difícil. Uma escrita densa e longa – são mais de 600 páginas – sobre um assunto que deixou marcas profundas em toda uma sociedade.
No entanto, para todos aqueles que procuram aprofundar os seus conhecimentos sobre uma temática que nunca deixa de ser actual e para os apaixonados por história, em particular a do século XX, é uma obra que não posso deixar de recomendar.
Uma nota final, para salientar o facto, de neste momento ser possível adquirir este livro por cerca de € 10,00, o que considerando o tamanho, qualidade da edição e da obra, acaba por ser uma escolha muitíssimo económica.