quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O Malhadinhas

O Malhadinhas é um livro de Aquilino Ribeiro que, na edição que tivemos oportunidade de ler, inclui ainda a novela Mina de Diamantes.
Este livro, que é então a junção de dois trabalhos diferentes, inclui uma primeira novela a que o autor deu o nome de O Malhadinhas, que retrata a estória de um almocreve beirão e as suas múltiplas aventuras, desde a sua juventude até à velhice.
Está escrito numa linguagem rústica em grande parte porque acreditamos que foi esse o desejo do autor que mostra uma inigualável capacidade de expressão num vocabulário vernáculo bem representativo da época histórica e da região que pretende ilustrar.
A estória é divertida e coloca em causa alguns dos princípios morais a que estamos habituados nos dias de hoje, sendo certo que a forma encontrada por Aquilino para nos dar a conhecer o Malhadinhas nos permite manter uma certa equidistância face às opções assumidas pela personagem.
Já a novela Mina de Diamantes se desenvolve em duas realidades físicas distintas. Uma primeira fase no Brasil – mais precisamente no Rio de Janeiro – e depois em Portugal. É a estória de um emigrante português na América do Sul que regressa ao seu país de origem para visitar a família.
Esta última, é uma novela cáustica. Põe em causa as motivações de um homem que se faz apresentar na sua terra natal como se fosse dono de uma mina de diamantes, distribuindo benesses pelos conterrâneos ao ponto de ser condecorado e chamado de Comendador.
Não podemos dizer que este livro nos tenha entusiasmado particularmente. As narrativas são morfologicamente ricas e estão efectivamente escritas com labor e arte, mas o vocabulário utilizado é confuso e difícil e nem por isso as estórias são particularmente interessantes. No entanto, para os amantes da literatura em língua portuguesa, o nome de Aquilino Ribeiro continua e continuará a ser incontornável.

5 comentários:

Gonçalo de Albuquerque disse...

Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos. - Oscar Wilde

Eu não leio Aquilino Ribeiro, mas pedi a opinião de um amigo que leu. Segundo o meu amigo, este livro não tem a qualidade habitual com que o autor tem habituado a quem lê as suas obras.

A ver se ganho coragem de pegar num dos seus livros. Faço-te aqui um pedido Filipe, aconselha-me um livro que tenhas lido dele e que tenhas gostado.

Cumprimentos,

Filipe de Arede Nunes disse...

Gonçalo,

Foi a primeira obra que li do autor. Quando encontrar um que me deixe maravilhado digo-te.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Pedro disse...

Nunca li este romance, mas de Aquilino Ribeiro li "Romance da Raposa". Sem se ter tornado num livro preferido (creio que seria dizer demais), gostei bastante desse conto, infantil deveras mas para mim uma excelente leitura, e que aproveito para te aconselhar. Acho que vale a pena ;) Quanto a este, já me passou pela mão, mas não lerei Aquilino Ribeiro muito em breve, suponho...

Gonçalo de Albuquerque disse...

As boas histórias para crianças não são escritas à toa. Elas são repletas de simbologia, valores sociais ou humanos e de estruturas que fazem parte do nosso inconsciente.
Como adultos, também podemos retirar lições destes tipos de livros.

Obrigado pelo conselho. Filipe, aguardo então também uma boa sugestão tua.

Cumprimentos

Helena Correia disse...

Olá Filipe!

Muito legal seu post! Eu sou tataraneta do Malhadinhas. Estive em Vila nova de Paiva há alguns anos tentando encontrar esse livro, mas já não publicam mais ele. Consegui fazer uma cópia e levei pra minha família no Brasil. Também o encontramos no Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Ainda não tive a oportunidade de lê-lo, mas agora que comecei meu próprio blog e estou a falar das minhas origens me parece inevitável. Foi um prazer ler seu post!

Você pode me encontrar aqui:
https://leninhacorreia.wordpress.com/

Abraços de Hong Kong!