terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O jogo do Anjo

O jogo do Anjo é o mais recente romance do catalão Carlos Ruiz Zafón, autor do célebre A sombra do vento e um dos mais aclamados e brilhantes escritores da actualidade.
À semelhança do seu anterior romance, a nova obra de Zafón decorre na maravilhosa cidade de Barcelona e tem como epicentro da estória os livros que parecem ser uma constante feliz.
Ao contrário do que possa à primeira vez parecer, esta obra de Zafón não é fácil. Para além da evidente trama onde David Martin assume o papel principal como escritor, a verdade é que o livro consegue ir muito mais longe. Tem um certo tom místico e secreto, uma estória encoberta e onde as personagens deixam de estar presas à realidade concreta para serem de origem metafísica e irreal. Estamos mesmo em crer que a verdadeira estória nem sequer chega a ser contada e o todo o livro é um breve prelúdio para algo que ficou por escrever.
A escrita de Zafón é fluida, melódica, simples ritmada e metódica. Cada capítulo encerra uma acção e abre o apetite para a acção seguinte. O autor consegue com que o leitor viva num rodopio constante, numa ânsia vertiginosa em busca da revelação da página seguinte. As últimas páginas então, decorrem numa velocidade alucinante.
Posto isto é fundamental referir que o livro não é apenas um romance, visto que é também um policial de grande qualidade.
As personagens estão fantasticamente definidas com sal e pimenta. Transpiram toda a informação necessária e não contam mais do que o essencial para que não consigamos deixar de tentar perscrutar na mente do autor os mais ínfimos pensamentos que estiveram na origem da criação de cada uma das personagens.
As descrições, quer dos lugares, quer da narrativa são de enormíssima qualidade. Estamos em crer que Zafón é um dos escritores da actualidade que consegue brilhar mais nas suas pinturas. A palete de cores que tem na sua disponibilidade parece infindável. Cada nova acção é mosqueada com pura poesia.
A escrita de Zafón é cativante. Não poderíamos nunca dormir descansados se não aconselhássemos vivamente a leitura deste livro. É uma pérola que tem de constar em todas as bibliotecas pessoais.

6 comentários:

Canochinha disse...

Vai ser uma das minhas próximas leituras... Ainda bem que te entusiasmou :)

Livros em 2ª Mão disse...

Estou a acabar "A Vida num Sopro" de JRS para começar neste. A tua opinião entusiasmou-me, vamos lá ver...

djamb disse...

Não só gostei mto deste livro como gostei de ler a tua apreciação.
Aquilo de que mais gostei nesta obra de Zafon foi aquilo que ficou por dizer, levando-nos a pensar sobre a trama e a deduzir determinados momentos.
Muito bom!

Francisco Castelo Branco disse...

estava indeciso em comprar, mas depois da crónica nao vou hesitar

Pedro disse...

Hum, pode ser que o Pai Natal se lembre... *assobio*

Livros em 2ª Mão disse...

"Cada capítulo encerra uma acção e abre o apetite para a acção seguinte. O autor consegue com que o leitor viva num rodopio constante, numa ânsia vertiginosa em busca da revelação da página seguinte. As últimas páginas então, decorrem numa velocidade alucinante."

Sem dúvida, a escrita cativa-nos a todo o momento e o desenrolar dos acontecimentos também. Mas, para mim, as últimas 150 páginas desiludiram-me em comparação com as outras 400. Foi um desenrolar de acontecimentos, um verdadeiro rodopio como referes, mas que esteve muito longe de me satisfazer. Além disso, não gostei do final dado ao "livro do patrão". Enfim, são gostos! No entanto, o este livro vale bem a sua leitura.