segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O arquipélago da insónia

O arquipélago da insónia é o mais recente livro de António Lobo Antunes um dos mais galardoados escritores portugueses e um nome de vulto na literatura nacional e internacional.
Este livro é um exercício literário de enorme alcance e profundidade, fugindo à regra tradicional do género romance, num conjunto articulado, mas por vezes aparentemente anárquico, de conjugação de interjeições e descrições penetrantes e arrebatadoras.
É difícil definir concretamente o objecto desta obra: talvez relate a estória de uma decadente família de latifundiários, onde se reúnem indivíduos únicos e os seus mais intensos e perturbadores pensamentos.
Não conseguimos afirmar peremptoriamente que determinada personagem é o centro da narrativa, mas podemos dizer que esta função é principalmente desempenhada por um dos elementos mais jovens da família, o neto do patriarca que tudo comanda numa postura de extrema rigidez.
A confusão do estilo seguido, faz-nos perder entre as análises metafísicas do comportamento das personagens que nos dá o narrador. Não existe uma estória estruturada, ou sequer a sua aparência.
É um livro extremamente difícil. Será provavelmente o livro mais complicado que tivemos oportunidade de ler até ao momento. Estamos convencidos, que a originalidade (pelo menos para nós) do estilo não conseguirá entusiasmar a grande maioria dos leitores.

9 comentários:

Menphis disse...

Filipe, apenas uma pergunta: é o primeiro livro que leste do António Lobo Antunes ?

( depois explico-te o porquê dessa pergunta )

Pedro disse...

Nunca li nada de António Lobo Antunes, mas pelo que já percebi por outras opiniões os seus livros são mesmo assim, densos. Ainda gostaria de vir a experimentar um livro dele...

Filipe de Arede Nunes disse...

Menphis,

Não. O primeiro livro que li de Lobo Antunes (e único antes deste) foi o Cus de Judas, que é num estilo bem diferente deste.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Menphis disse...

Filipe, entre o Cus de Judas e este existe uma diferença de, precisamente, 19 anos, é um salto demasiado grande na carreira de um escritor, principalmente na carreira de Lobo Antunes.

Ele, entretanto, foi apurando a sua escrita, foi criando um estilo completamente antagónico àquele que teve no seu inicio de carreira. A sua escrita é bruta, intensa, feita de várias vozes, que dá trabalho ao leitor decifrar, o leitor necessita de ter tempo, mental e físico, disponibilidade, e vontade de entrar para uma "luta" com o autor, no sentido de o perceber aquilo que ele está a tentar transmitir, para mim é aí que reside o seu fascínio .

É, sim uma escrita difícil, ele não dá, desculpa a expressão e sem qualquer tipo de preconceito, a papinha toda feita ao leitor, para ele o leitor terá que "trabalhar" e tentar descobrir para onde o autor o quer tentar levar, mas não concordo quando dizes que não irá agradar à maioria dos leitores, até porque os seus leitores já sabem e estão preparados para aquilo que vão encontrar. E os seus leitores até dizem que este é dos melhores livros dele.Eu não o li, mas irei lê-lo brevemente. Até existe um post aí de um blogger qualquer que diz que odeia Lobo Antunes porque o homem faz-lhe pensar e envolve-o numa teia que o faz sentir pequenino, no fundo ele não gosta de ser "dominado" pelo Lobo Antunes e prefere não ser incomodado. :) Delicioso.

Aconselho que, antes de tentar um romance dele porque não irão, como te aconteceu, perceber nada, que leiam as suas crónicas na Visão ( e não é necessário comprar, estão no site )para se habituarem à sua escrita e só depois passem para os romances. E depois, se não gostarem, não tenham problemas abandonem-no ( eu fiz e faço isso muitas vezes, deve ser o autor que mais abandono e que mais volto a encontrar, como se fosse um casal de namorados apaixonados)e depois voltem a pegar nele para o ver se o percebem melhor.

vai lendo as suas crónicas, vai tentando perceber as suas vozes, depois pega este livro, é capaz de teres uma visão diferente, acredita.

Filipe de Arede Nunes disse...

Menphis,

Nunca abandonei um livro. Não gosto. Acho uma desconsideração pelo autor.

Concordo com a análise que fazes da literatura de Lobo Antunes. Aliás, penso que o sentido do meu post é o mesmo e se bem me fiz compreender, hás-de aceitar que fiz um profundo elogio ao autor. O livro tem passagens verdadeiramente brilhantes, o que não acontece com a generalidade das obras que se lêem por aí.

No entanto, eu quando digo que este livro não vai agradar à maioria dos leitores, não me estou a referir aos assíduos do seu livro. Estou a falar do público em geral que gosta de tirar algum prazer imediato da leitura de um livro. Nessa categoria - que é a maior - julgo que este livro não vai encontrar grandes apoiantes.

Muito obrigado pela participação que tens tido na discussão desta obra e pelo olhar elucidado e perspectiva que trouxeste ao debate.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Menphis disse...

Eu abandono muitas vezes Lobo Antunes, mais por uma questão de humildade, no sentido de que como não consigo ter aquele tempo e disponibilidade que falo e quero gostar do que ele escreve, quero tentar lê-lo numa outra altura, penso que até é uma forma carinhosa do meu relacionamento com a sua escrita.

Quanto a abandonar outros livros, ás vezes abandono, mas depois volto noutra altura, existem factores que me levam a abandonar um livro, ou mete-se um livro no meio, ou o autor não puxa por mim, etc, mas, certamente, dou-lhe sempre outra oportunidade porque até os livros que não gosto leio-os todos, a´te par aperceber o que não gostei.

um abraço e sempre que puder discuto a obra, isto se a tiver lido, é claro ;)

fragmagens disse...

Ora cá está um link para passar directamente para os meus habituais. Sobre Lobo Antunes sou suspeito, porque sou fã. Para discutir o assunto terei de voltar com mais tempo, mas concordo com muito do que o Menphis escreveu acerca do autor.

Saudações

Paulo disse...

Nunca abandono um livro. Quanto muito, interrompo a sua leitura. Muitas das vezes, regresso.

tonsdeazul disse...

Este foi o primeiro que li do autor, apesar de conhecer algumas das suas crónicas, e confesso que me senti muitas vezes perdida.
"O Arquipélago da Insónia" é um livro que parece estar cheio de nada e no entanto conta-nos uma história. Uma história de três gerações de uma família com vivências um tanto ao quanto tristes, mas que as palavras dão um toque de beleza.
Depois deste fiquei com vontade de conhecer algo mais do autor, mas até ao momento ainda não me aventurei.