segunda-feira, 14 de abril de 2008

O primo Bazilio

O Primo Bazilio, é uma genial obra de Eça de Queirós que retrata a vida de uma família da pequena burguesia em meados do século XIX, repleta de personagens fascinantemente construídas, completas, vivas, onde a crítica social continua a ser a característica mais marcante.
A estória começa com a descrição da vida de Jorge e Luíza e todo o ambiente pequeno burguês que se desenvolve em torno das duas personagem.
Com a partida de Jorge para o Alentejo em trabalho, surge uma outra personagem de grade relevo no livro: o primo Balizio de Luíza e anteriormente seu namorado, que depois de ter obtido grande fortuna no Brasil regressa a Portugal.
Bazilio é uma personagem fascinante, um verdadeiro pinga amor, que faz uso do seu charme para cativar a sua prima que visita com insistência na ausência do seu marido e que lentamente a seduz.
Com o desenrolar da narrativa, Juliana, criada da família, com um ódio visceral aos seus patrões e em particular a Luíza descobre o romance entre a sua patroa e o primo.
Com este conhecimento privilegiado, Juliana tenta obter, através de chantagem, um ganho financeiro.
Depois do romance descoberto, Bazilio sai finalmente de cena e regressa aos seus negócios fora de Portugal.
Coincidentemente com a saída de Bazilio para o estrangeiro regressa Jorge. Luíza, sentindo-se profundamente culpada com o adultério que cometeu, redescobre de uma forma ainda mais intensa o seu amor pelo marido, face à crescente chantagem de Juliana que extorque cada vez mais favores e trabalho a Luíza, verificando-se inclusivamente uma inversão dos papeis na casa: a patroa substitui a criada e vice-versa.
Finalmente, e depois de uma tremenda pressão de Juliana sobre Luíza, esta resolve contar tudo o que se passou a Sebastião, velho amigo de Jorge, que resolve o assunto da chantagem, visitando Juliana e exigindo-lhe a devolução das provas do adultério. Na sequência desta visita de Sebastião a Juliana, esta, que sofria do coração, acaba por se prostrar morta com a emoção.
Apesar do alivio sentido por Luíza, esta acaba por cair doente, possivelmente em resultado da profunda anemia de que sofria e em parte devido ao caos e que a sua vida de tinha transformado com a chantagem de Juliana.
Luíza que havia enviado uma carta ao primo para lhe pedir dinheiro, recebe, durante o seu recobro, a resposta do primo, sendo a carta aberta por Jorge que descobre a traição, vivendo a partir daí num sobressalto constante.
Quando finalmente Luíza recupera, Jorge confronta-a com o facto. Luíza não chega a reagir, caindo com febre no momento imediatamente a seguir.
A progressão da doença é fulminante, terminando a história com a morte de Luíza e o arrependimento de Jorge por a ter confrontado com a traição.
Esta obra é sublime. A descrição da pequena burguesia lisboeta é fascinante, como acontece em todas as obras de Eça e naturalmente que aconselhamos a leitura deste livro a todos os apaixonados pela literatura de qualidade.

1 comentário:

Butterfly disse...

Quando pela primeira vez li "Os Maias" de Eça de Queirós fiquei logo apaixonada pelo seu estilo ! A densidade psicológica que confere às personagens, as deliciosas descrições ricas em pormenores, a crítica à sociedade portuguesa ... enfim,desde então não parei até ter lido toda a sua sublime obra.